quinta-feira, maio 23, 2024
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“Sou homem e aceito o meu útero”: ele engravidou após transição de gênero

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Leonardo Tenório, 29, entendeu-se como um homem há 10 anos. Ele nunca havia pensado em ter filhos, até que aos 21 viveu um relacionamento que despertou o desejo de construir uma família. Mas foi só 8 anos depois, ao lado do marido Alexandre, 31, que Leonardo tornou-se pai, gestando a própria filha, Yumi, que atualmente tem 6 meses.

Pessoas que têm útero engravidam. Tenho relação com meu corpo bem tranquila. Antes, nós, trans, tínhamos uma ideia que para nos validarmos como pessoas transmasculinas deveríamos ser igual ao homem cis. Mas isso foi mudando. Passamos a ter uma relação de mais aceitação com o nosso corpo e de entender que nunca seremos cis e não é nem bom que sejamos.

Gravidez foi desejada. “No relacionamento com o meu atual marido, voltou a vontade de ser pai. Tinha a vontade de ter filho só se fosse com uma pessoa que gostasse muito. Estou com o Alexandre há dez anos, apesar de no começo não termos uma rotina de namorados. Quando comecei a ter depressão, ele tomou a decisão de vir morar comigo e cuidar de mim. Ele me ajudou muito.”

Leonardo descobriu que estava grávido no hospital. “Estava em um momento vulnerável quando o médico disse que eu estava grávido. Não teve muito contexto, mas fiquei feliz. Imaginava que existia essa possibilidade, mas não sabia se conseguiria.”

Gestação foi tranquila e Yumi nasceu de 7 meses. “Gostava de estar grávido. Sentia muito cansaço, mas não tive alguns sintomas, como enjoo. Meu medo sempre foi o parto. Tinha receio de me machucar nesse momento. Mas no final foi tudo tranquilo. Tinham muitos profissionais da saúde me apoiando. Quando a Yumi nasceu, ela teve que ficar dois meses na incubadora e íamos todos os dias visitá-la.”

Leonardo viveu a emoção de ser pai por completo após Yumi ir para casa. “Com ela em casa, me dei mais conta do sentimento de ser pai. Foi algo que foi acontecendo bem devagarzinho. Antes, colocava ela no braço por uma ou duas horas, conversava com os médicos e enfermeiras, mas quando ela foi para casa, era outra coisa. É um sentimento de ter um amor incondicional, que você quer dar a vida toda para essa criança. Dar apoio, de querer sempre estar junto, em todas as fases. Sei que ela é uma bebê muito amada”

Apesar de ter feito mastectomia, Leonardo pôde amamentar Yumi. “Fiz o tratamento, mas meu peito cresceu e comecei a produzir leite, apesar de pouco. Tomei remédio para aumentar a quantidade dele e também fiz estimulação. Quando ela chegou em casa, eu tentei dar leite e ela pegou um pouco, mas não consegui continuar, até pela fibromialgia e remédios que tenho que tomar. Mas foi legal a experiência.”

Do UOL Notícias

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