Alimentos orgânicos são sempre mais saudáveis? Especialistas explicam

Alimentos orgânicos são sempre mais saudáveis? Especialistas explicam

Os alimentos orgânicos costumam ser vistos como uma opção mais saudável por serem cultivados sem agrotóxicos e fertilizantes químicos. Mas eles geralmente chegam aos mercados com preços mais altos e muitas vezes o consumidor fica em dúvidas se eles realmente são mais saudáveis e se o investimento vale a pena.

A resposta não é tão simples. Por um lado, estudos indicam que os orgânicos contêm uma quantidade maior de antioxidantes benéficos para o corpo, como polifenóis, e menos resíduos pesticidas e metais pesados. Por outro, a diferença nutricional em relação aos não orgânicos nem sempre é relevante.

“A diferença em termos de vitaminas e minerais é pequena e não se aplica a todos os alimentos. O que realmente distingue os orgânicos é a forma como são cultivados, sem o uso de pesticidas sintéticos e fertilizantes químicos”, explica a nutricionista clínica e hospitalar Jéssica Kozaka, do Laboratório IonNutri.

A nutróloga Gabriela Addor, do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), ressalta que não há base científica sólida para afirmar que há uma vantagem nutricional significativa nos produtos mais naturais. “A composição do alimento se mantém independente dele ser de origem orgânica ou não”, afirma.


Alimentos orgânicos X não orgânicos

  • Os orgânicos contêm menos resíduos de pesticidas, podem conter mais antioxidantes e impactam menos o meio ambiente.
  • No entanto, costumam ser mais caros e nem sempre são fáceis de encontrar.
  • Já os alimentos convencionais são mais acessíveis, têm maior durabilidade e são encontrados com mais facilidade.
  • Por outro lado, podem conter resíduos químicos e ter maior impacto ambiental.

Risco dos pesticidas na alimentação

Uma das maiores preocupações em relação aos alimentos convencionais é o uso de pesticidas. Segundo Jéssica Kozaka, ainda que os resíduos estejam dentro dos limites seguros estabelecidos por órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, na sigla em inglês), a exposição contínua a essas substâncias pode causar riscos à saúde, como disfunções hormonais e aumento do risco de doenças crônicas.

“Embora as regulamentações garantam que os níveis não sejam prejudiciais, estudos sugerem que a exposição prolongada pode ter efeitos cumulativos”, alerta a nutricionista.

Gabriela concorda que o consumo de pesticidas pode representar um risco, mas ressalta que a gravidade depende de vários fatores. “A quantidade aplicada, o tipo de pesticida e o tempo de exposição ao produto químico são decisivos para determinar os impactos à saúde”, diz.

Vale a pena pagar mais caro pelos orgânicos?

Embora reduzir a exposição a pesticidas seja um dos principais motivos para optar pelos orgânicos, a escolha acaba levando em conta também o orçamento e a qualidade da dieta como um todo.

“Uma dieta saudável pode ser alcançada com alimentos convencionais, desde que sejam bem escolhidos e equilibrados”, explica Jéssica. Para quem quer reduzir a ingestão de pesticidas sem gastar muito, uma alternativa é priorizar frutas e verduras da estação, que tendem a ter menos agrotóxicos.

A nutróloga Gabriela enfatiza que, mais importante do que a origem do alimento, é garantir que a população tenha acesso a uma dieta variada e nutritiva, com alto consumo de frutas e vegetais em geral e menos de produtos ultraprocessados.

Como é a certificação de um alimento orgânico?

Para que um alimento seja certificado como orgânico, ele deve ser cultivado sem o uso de pesticidas sintéticos, fertilizantes químicos ou organismos geneticamente modificados.

“No Brasil, a certificação é feita por organizações credenciadas pelo Ministério da Agricultura (MAPA), garantindo que toda a produção siga as boas práticas da agricultura orgânica”, explica Gabriela.

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Fonte: Metrópoles