O britânico Ed FitzGerald, 50 anos, recebeu o diagnóstico de Parkinson depois que sua esposa, Abby, notou algo incomum enquanto ele corria. O pequeno detalhe, que passou despercebido por meses, acabou sendo um dos primeiros sinais da doença.
Em meados de 2023, Abby, 40 anos, percebeu que o braço esquerdo do marido parou de balançar repentinamente durante a corrida.
“Sempre corremos juntos, e um dia percebi que seu braço esquerdo não se movia como antes”, lembrou. Inicialmente, ela não deu muita importância, acreditando que poderia ser apenas um reflexo de fadiga.
“Eu nem cogitei que pudesse ser Parkinson. Sempre achei que essa fosse uma doença que afetava apenas pessoas mais velhas”, afirmou ela em entrevista ao Daily Mail.
Ed também minimizou a situação e acreditava que poderia ser um pequeno desgaste ou lesão. “Minha esposa me dizia para prestar atenção no movimento do braço, mas eu achava que talvez fosse um problema de nervo comprimido”, comentou.
Foi somente em outubro daquele ano, quando começou a ter dificuldades para digitar com a mão esquerda, que Ed resolveu procurar um médico. Os exames confirmaram o diagnóstico de Parkinson, uma doença neurodegenerativa que compromete os movimentos e não tem cura.
“O médico perguntou como eu queria receber más notícias e me disse que ou eu tinha tido um derrame ou estava com Parkinson. Mas ele já suspeitava que fosse a segunda opção”, recordou o britânico.
Parkinson
O Parkinson afeta milhares de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que 200 mil indivíduos convivam com a condição. A doença ocorre quando as células cerebrais responsáveis pela produção de dopamina — hormônio essencial para o controle dos movimentos — começam a morrer.
Entre os primeiros sinais estão: tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e perda do olfato. Também é comum que os pacientes apresentem dificuldades de equilíbrio, falta de coordenação e cãibras musculares.
Embora não tenha cura, existem tratamentos que ajudam a aliviar os sintomas e a preservar a qualidade de vida pelo maior tempo possível. Além das limitações motoras, o Parkinson também impõe um grande estresse ao organismo, tornando o paciente mais vulnerável a infecções graves.
Ed lembra que, antes mesmo da esposa notar a falta de movimento no braço, ele já havia sentido algumas mudanças no corpo. “Estávamos de férias em Lanzarote, na Espanha, e percebi que meu braço estava mais rígido, mas não dei muita atenção. Também sentia uma fadiga extrema há anos, mas achava que era só cansaço do trabalho”, relatou.
Desde o diagnóstico, ele precisou fazer adaptações na rotina. “Às vezes, preciso tirar um cochilo no meio do dia porque a exaustão bate forte. No começo, fiquei preocupado se conseguiria continuar trabalhando, mas meus colegas me apoiaram muito”, destacou.
Apesar dos desafios, o diagnóstico trouxe uma nova perspectiva para a vida de Ed. “A ironia é que agora faço mais exercícios do que antes. Pratico uma variedade maior de esportes e até comecei a fazer boxe sem combate porque pesquisas indicam que manter-se ativo pode ajudar a retardar a progressão dos sintomas”, observou o morador de Bromley, no sul de Londres.
Maratona pela pesquisa do Parkinson
Determinado a transformar o diagnóstico em algo positivo, Ed decidiu correr a Maratona de Londres, em abril, para arrecadar fundos para a instituição de caridade Cure Parkinson’s.
“Sabia que poderia me afundar no desespero ou tirar algo bom disso. A instituição me ajudou muito, e eu queria retribuir”, enfatizou.
A iniciativa já arrecadou quase 13 mil euros por meio da plataforma JustGiving. “Tem sido emocionante ver quantas pessoas querem ajudar. Amigos, colegas e até desconhecidos estão contribuindo. O apoio tem sido incrível”, disse.
Além do impacto solidário, a maratona tem um significado especial para ele e sua família. “Minha esposa correu essa mesma prova anos atrás para uma instituição que apoia crianças com leucemia, depois que nosso filho foi diagnosticado com a doença aos seis meses de idade”, lembrou.
Abby não esconde o orgulho pelo marido. “Ele enfrentou esse desafio com a mesma determinação de sempre. Leva o treinamento a sério e, muitas vezes, já está correndo antes do sol nascer”, contou.
Para ela, mais do que completar a prova, o que realmente importa é o impacto que a arrecadação pode ter. “O fato de ele ter conseguido reunir tanto dinheiro para a Cure Parkinson’s é incrível. Espero que isso ajude a instituição a dar mais um passo na busca por uma cura”, finalizou Abby.
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Fonte: Metrópoles