Com mais de cinquenta anos dedicados ao samba no pé, Aldione Senna se consagra como uma das maiores passistas na história do carnaval do Rio de Janeiro. Aos 69 anos, a carioca trilhou a própria trajetória quebrando barreiras territoriais para se consolidar como uma das principais referências da arte bamba.
Hoje, além de instruir rainhas e reis que brilham frente às suas respectivas baterias, a artista também se dedica a compartilhar o legado cultural da festa para quem está chegando na folia.
Em conversa com a CNN, Aldione faz um balanço da evolução no segmento, considerando seu primeiro desfile na Marquês de Sapucaí aos dias mais atuais. “Muita coisa mudou. Tudo, na verdade. As coisas evoluíram, o carnaval passou por uma série de mudanças”, conta.
“Na minha arte também se mudou muito. Agora, as passistas trazem mais samba no pé, mais coreografia, se tornaram verdadeiras bailarinas do samba e é isso é muito gostoso de se ver. Acho que é uma transformação positiva, desde que não seja exagerada”, pontua.
Após cinco anos afastada, Senna também retorna à passarela do samba em 2025. “Estou de volta!”, celebra. “E contribuindo com a arte do samba no pé, dando as minhas aulas. As mudanças, de forma geral, foram bem positivas, mas algumas coisas ainda precisam ser ajustadas. Hoje, o negro está com mais visibilidade, seja dentro ou fora da Sapucaí e, apesar de faltar muito, a gente chega lá, para mostrar quem faz isso acontecer”, acrescenta.
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Embora a temporada carnavalesca traga uma série de críticas nas redes sociais diante da presença de musas e destaques famosas que não se criaram no berço do samba, Aldione defende a ideia de que há espaço para todo mundo. “É para isso que estamos aqui, para ensaiar e ensinar. O samba é diversidade. Antigamente não podia isso ou aquilo. Mas se a gente perceber bem, já tem algum tempo que vemos artistas que não tem o samba no pé desfilando”, reflete.
“Acho que as pessoas estão crucificando muito e o que me deixa mais triste é que é sempre uma mulher criticando a outra, diminuindo a outra. Eu acho que, se quer fazer um comentário, que faça assim: ‘Poxa, está fraco no samba, mas vai aprender’. Neste ano, estou com três musas, que estão evoluindo muito bem. É uma questão de se dedicar, de ter força de vontade e coragem. Só é preciso entender que não, elas não irão se tornar passistas, mas podem ocupar espaços com graciosidade, charme e elegância”, entrega.
Como será o Carnaval do Rio de Janeiro em 2025?
Neste ano, o Carnaval do Rio de Janeiro será dividido em três dias: 2, 3 e 4 de março. As doze escolas que formam o Grupo Especial atravessaram a avenida ao longo das noites de cortejo.
Veja a ordem completa das apresentações:
Domingo (2 de março)
- Unidos de Padre Miguel
- Imperatriz Leopoldinense
- Unidos do Viradouro
- Estação Primeira de Mangueira
Segunda-feira (3 de março)
- Unidos da Tijuca
- Beija-Flor de Nilópolis
- Acadêmicos do Salgueiro
- Unidos de Vila Isabel
Terça-feira (4 de março)
- Mocidade Independente de Padre Miguel
- Paraíso do Tuiuti
- Acadêmicos do Grande Rio
- Portela
Escolas de samba são reconhecidas por lei como patrimônio cultural
Este conteúdo foi originalmente publicado em Passista veterana defende famosas no samba: “Espaço para todo mundo” no site CNN Brasil.