Campos Neto nega que problema seja juros e culpa fiscal

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto avalia que a composição atual do Comitê de Política Monetária (Copom) está fazendo um trabalho “irretocável”. A declaração foi dada ao jornal Folha de S.Paulo.

“Não tenho nenhum reparo a fazer. Eles [Copom] têm atuado de forma técnica, comunicado com transparência. Está fazendo um trabalho irretocável. Só que o problema não está no lado monetário, está no lado fiscal”, disse Campos Neto.

Para o ex-presidente da autoridade monetária, há uma “guerra de narrativas”, com a inserção da polarização política dentro do debate fiscal. Campos Neto considera que falta credibilidade em relação à ancoragem fiscal, diante do crescimento da dívida pública.

“Para mim, o importante não é se vai cair 1 ou 1,5 [ponto da Selic]. A gente precisa ter uma interpretação do mercado de que o governo é sério. Precisa de medidas fiscais. Falei no passado que o governo, se quisesse trabalhar com juros mais baixos, precisava gerar um choque positivo de credibilidade no fiscal”, afirmou.

Na reunião de junho, o Copom subiu a Selic para 15% ao ano, o maior patamar para os juros básicos do país desde maio de 2006. Se os parâmetros observados pelo BC se confirmarem, o Copom antevê o fim do ciclo de alta na próxima reunião, prevista para o final de julho.

Em maio,  a Dívida Pública Federal (DPF) avançou 0,71%, subindo para R$ 7,67 trilhões. No mês, a arrecadação federal atingiu R$ 230,15 bilhões, um aumento real de 7,66% em relação ao mesmo período do ano passado, marcando o melhor desempenho da série histórica para o mês.

“Mesmo quando se arrecada muito mais, não se consegue produzir superávits. Sem ter condições de cair muito os juros, vamos para um déficit nominal que fica preso em uma faixa ao redor de 8%. Como não conseguimos gerar um primário positivo, nossa dívida vai crescer em torno de 3 a 5 pontos porcentuais ao ano”,. afirmou Campos Neto.

Em seguida, o ex-presidente do BC completou: “Como nossa dívida já é a maior do mundo emergente, este crescimento [da dívida] é muito grave. Precisamos de um plano ambicioso.”

Campos Neto transmitiu a chefia do BC a Gabriel Galípolo em 1º de janeiro deste ano. Após cumprir período de quarentena obrigatório, ele assumiu, no último dia 1º, o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração e Chefe Global de Políticas Públicas do Nubank.

(escrito por Vitória Queiroz, da CNN)

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