O Departamento de Estado dos Estados Unidos tomou a decisão de negar e revogar vistos de integrantes da Autoridade Nacional Palestina e da Organização para a Libertação da Palestina, gerando uma nova onda de tensão diplomática às vésperas da Assembleia Geral da ONU. A análise é de Lourival Sant’Anna durante o CNN Prime Time.
A medida surge em um momento crítico, quando diversos aliados tradicionais dos Estados Unidos, incluindo países europeus, Austrália e Canadá, demonstram disposição para reconhecer um Estado palestino. Atualmente, três em cada quatro países membros da ONU já reconhecem a Palestina como Estado.
Histórico de restrições
Em sete décadas de sede da ONU em Nova York, foram raras as ocasiões em que os Estados Unidos utilizaram sua prerrogativa de negar vistos para entrada no país durante assembleias. Um caso notório ocorreu em 1988, durante o governo de Ronald Reagan, quando o ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina Yasser Arafat foi impedido de comparecer, levando à transferência da Assembleia Geral para Genebra, na Suíça.
Outros casos de restrição incluíram representantes da Abecásia, região separatista apoiada pela Rússia na Geórgia, e um embaixador nomeado pelo Irã. Em outro episódio relevante, Narendra Modi, então governador de Gujarate, na Índia, teve sua entrada negada por questões relacionadas aos direitos dos muçulmanos na Índia.
A atual decisão americana tem gerado preocupações sobre o uso do poder político e econômico dos Estados Unidos, especialmente considerando sua influência por meio do dólar como moeda dominante nas relações internacionais. Analistas apontam que o uso excessivo dessas prerrogativas pode levar outros países a reconsiderarem suas relações com os Estados Unidos.