Até que ponto a dieta realmente influencia na endometriose? Entenda

Embora seja bastante debatido, o elo entre alimentação e endometriose continua cercado de controvérsias. A ciência ainda tem muito a elucidar sobre a condição que, estima-se, acomete 10% das mulheres em idade fértil.

A doença ocorre quando o endométrio — tecido que reveste internamente o útero e é expelido a cada menstruação — cresce fora da cavidade uterina. Esse processo gera inflamações e pode atingir ovários, trompas e outros órgãos próximos, como o intestino. Há indícios de que exista um fator hereditário por trás da condição.

“Além da cólica menstrual, pode haver dor pélvica crônica, que acontece fora do período de menstruação, assim como dores durante as relações sexuais”, diz o ginecologista Sérgio Podgaec, do Einstein Hospital Israelita. Dificuldade para engravidar e alterações no funcionamento intestinal também são sintomas prevalentes, embora existam mulheres que não apresentam sinais.

Para tais desconfortos, há quem procure soluções na dieta, sem respaldo científico, recorrendo a ingredientes milagrosos ou excluindo alimentos. “Restrições desnecessárias, sem o aval de profissional de saúde, podem causar prejuízos nutricionais”, observa a nutricionista Ana Beatriz Vallilo, também do Einstein.

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Excluir glúten e lactose?

Um estudo publicado recentemente no periódico Jama Network, realizado por pesquisadores do Reino Unido e da Irlanda, mostra que modelos alimentares que incentivam a retirada de glúten e laticínios para melhorar a endometriose são os mais populares. A cafeína e as bebidas alcoólicas também apareceram como itens a serem eliminados do dia a dia.

Para chegar a esse panorama, os estudiosos montaram um questionário com 24 perguntas, respondidas por 2.599 participantes. O levantamento revela que as mídias sociais estão entre os principais meios que motivam essas mudanças na dieta.

Há algumas décadas, o glúten tem sido apontado como vilão em muitas situações, embora não existam comprovações científicas de seus efeitos nocivos, exceto para os casos de doença celíaca e intolerância.

O mesmo vale para os laticínios, que são ricos em proteína, vitaminas e sais minerais, e devem ser evitados apenas por quem tem intolerância ou alergia. A exclusão de alimentos fontes de glúten ou lactose só deve acontecer após diagnóstico médico, com a realização de exames.

No contexto da endometriose, não existe nenhuma recomendação de banimento baseada em ciência. Aliás, uma revisão de estudos recente aponta efeitos positivos dos laticínios contra a doença.

Realizado por pesquisadores da Itália, o trabalho foi publicado no periódico Food e traz dados de dezenas de artigos. Porém, os próprios autores sinalizam a fragilidade das pesquisas reunidas. “A literatura científica carece de pesquisas robustas sobre os impactos da dieta na endometriose”, comenta Podgaec.

Dieta equilibrada e estilo de vida

Além dos laticínios, na revisão italiana os vegetais aparecem como aliados. Nesse caso, não há dúvida sobre ganhos atrelados a um cardápio com espaço para frutas, hortaliças, grãos integrais, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas etc.), leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico…) e sementes. “Hoje a nutrição moderna não aponta bons ou maus alimentos, mas considera o equilíbrio alimentar”, observa Vallilo.

Priorizar vegetais no dia a dia colabora para não faltarem compostos protetores, caso de antioxidantes. Eles ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas que, em excesso, desencadeiam danos celulares. Também oferecem substâncias anti-inflamatórias, que colaboram para o funcionamento de todo o organismo, e ainda uma grande quantidade de fibras, as guardiãs do intestino. “Há indícios, vindos de diversas pesquisas, de que cuidar do equilíbrio da microbiota intestinal favorece tanto a saúde física quanto a mental”, diz a nutricionista.

Embora ainda haja muito a ser investigado, existem evidências de que inserir hábitos saudáveis no cotidiano é fundamental para ajudar no controle da endometriose. “O tratamento pode incluir medicações como as pílulas anticoncepcionais”, afirma Sérgio Podgaec. Em alguns casos, há ainda indicação de cirurgia.

Para evitar que o distúrbio atrapalhe a qualidade de vida, o ideal é que o diagnóstico seja feito o quanto antes, por meio de exames como o ultrassom e a ressonância da pelve, além de avaliação clínica. Gerenciar o estresse, cuidar do sono e incluir a atividade física são outras medidas essenciais para minimizar os desconfortos.

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Fonte: Metrópoles

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