Brasil será primeiro país no mundo com genérico para mieloma múltiplo

O Brasil será o primeiro país do mundo a lançar um medicamento genérico para o tratamento do mieloma múltiplo, câncer hematológico raro que compromete as células da medula óssea responsáveis pela produção de anticorpos.

O produto, já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estará disponível a partir de 1º de setembro em todo o território nacional.

O novo medicamento é indicado para pacientes adultos com mieloma múltiplo recidivado ou refratário, quando a doença volta ou não responde mais às terapias anteriores. A administração é intravenosa, em ciclos definidos, podendo ser usada sozinha ou combinada a outras moléculas.

Na prática, o carfilzomibe faz parte da classe dos inibidores de proteassoma, um dos pilares do tratamento do mieloma múltiplo. Ele age bloqueando as estruturas que degradam proteínas defeituosas dentro das células. Com esse bloqueio, as células tumorais acumulam essas proteínas e acabam morrendo.

“Esse tipo de medicamento tem um papel fundamental quando a doença retorna, já que as opções disponíveis no SUS são muito limitadas. O carfilzomibe consegue resgatar o paciente e fazer com que a doença desapareça novamente”, explica o hematologista Angelo Maiolino, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Associação Brasileira de Hematologia (ABHH).

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Genérico para mieloma múltiplo

Com a chegada do genérico, o preço será em média 35% menor em relação ao medicamento de referência. Segundo Eduardo Rocha, CEO da Natcofarma Brasil, fabricante do medicamento, a mudança traz efeito imediato para os pacientes.

“Um genérico tem o mesmo princípio ativo, dose e eficácia que o medicamento original, mas custa significativamente menos. No caso da oncologia, essa diferença pode ser decisiva para garantir acesso a tratamentos de uso contínuo e elevado custo terapêutico”, afirma. “Trata-se do primeiro produto genérico desta molécula lançado globalmente. Essa conquista reforça nosso compromisso de trazer ao Brasil opções terapêuticas mais acessíveis, de alta qualidade e pioneiras em sua classe terapêutica.”

Hoje, cerca de 97% do consumo da molécula ocorre na rede privada, enquanto apenas 3% dos pacientes têm acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para Maiolino, o cenário pode mudar com a redução de custos.

“Com a entrada do genérico, o impacto orçamentário do tratamento vai melhorar, permitindo que o reembolso seja viabilizado no SUS e que os pacientes tenham acesso o quanto antes”, destaca o médico.

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Fonte: Metrópoles

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