O exército israelense declarou a Cidade de Gaza uma “zona de combate perigosa” ao recuperar o corpo de um refém e os restos mortais de outro em Gaza nesta sexta-feira (29).
Israel afirmou que não haverá mais “pausas táticas” na atividade militar na Cidade de Gaza. Os intervalos começaram há um mês, em meio à crescente indignação internacional com o agravamento da crise humanitária e da fome no enclave devastado.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram na época que as pausas de 10 horas tinham “fins humanitários”.
No entanto, quando o gabinete de segurança israelense aprovou a tomada e ocupação da Cidade de Gaza, no início deste mês, as autoridades deixaram claro que não haveria locais de distribuição de ajuda dentro da cidade, forçando as pessoas a saírem em busca de comida.
Israel já começou a bombardear os arredores da Cidade de Gaza, atingindo bairros na periferia da área densamente povoada antes de um ataque ao centro da cidade.
Os ataques aos bairros adjacentes forçaram os palestinos a fugir para o interior da Cidade de Gaza, de acordo com o Dr. Munir al-Bursh, Diretor-Geral do Ministério da Saúde Palestino.
Ofensiva israelense
Na última quinta-feira (28), os moradores da Cidade de Gaza anunciaram que drones israelenses estavam lançando panfletos sobre diversas áreas pedindo o esvaziamento do local.
“A todos na Cidade de Gaza e na área de Jabalya, como foram avisados anteriormente, o exército israelense está expandindo suas operações em direção ao Ocidente. Para sua segurança, se retirem imediatamente para o sul de Wadi Gaza.”
A CNN capturou imagens do bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, enquanto moradores fugiam do som de tiros. Uma mãe e seus três filhos pequenos podiam ser vistos correndo atrás do muro de um prédio para se esconder do bombardeio.
“Saímos do terror, literalmente dos filmes de terror”, disse uma mulher enquanto caminhava em direção a um campo de refugiados.
“Bombardeio, morteiros, foguetes, tiros, como vocês podem ver”, disse uma criança, Ibrahim Dumiati, sobre os ataques israelenses. “Não há palavras para descrever a situação. Perigo, pessoas morrendo, bombas. Fomos deslocados e estamos indo para o campo de Nuseirat.”
Outro morador em fuga, Abu Mahmoud, disse à CNN que a maioria das pessoas no bairro não tem recursos para escapar rapidamente: “Para onde podem ir aqueles sem abrigo? Não temos dinheiro para nos mudar.”