A infiltração do crime organizado no setor financeiro brasileiro, especialmente na região da Faria Lima em São Paulo, revelou-se mais extensa do que se imaginava inicialmente.
Uma operação que durou aproximadamente dois anos expôs um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro envolvendo fintechs e fundos de investimentos.
De acordo com Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a situação descoberta representa apenas “a ponta do iceberg”.
“A situação está muito mais complexa do que a gente imagina, o comprometimento dos setores da nossa economia é significativo”, afirma Alcadipani.
Expansão para outros setores
A presença do crime organizado não se limita ao setor financeiro. A construção civil apresenta fortes indícios de infiltração criminosa, com investigações em andamento que podem revelar esquemas de grande proporção. O setor de transportes também demonstra vulnerabilidade, como evidenciado em casos recentes envolvendo empresas de ônibus em São Paulo.
O setor de combustíveis é outro alvo frequente de atividades criminosas. A adulteração de combustíveis, conhecida popularmente em São Paulo como “combustível batizado”, tornou-se tão comum que parte da população já identifica os estabelecimentos envolvidos nessa prática ilegal.
Apesar da gravidade da situação, Alcadipani reconhece o mérito do trabalho investigativo realizado: “O estado brasileiro está de parabéns por ter conseguido fazer uma operação como essa e tocar uma investigação dessa que durou praticamente dois anos, apesar de todas as disputas e dificuldades”.