Aos 60 anos, Rixi Moncada se define por todos os empregos que teve ao longo da vida: professora rural, professora universitária, advogada e funcionária pública. Ela está certa sobre sua próxima tarefa: diz que é uma mulher disposta a “dar a vida” para ser eleita presidente de Honduras nas eleições deste domingo (30).
Moncada é a candidata governista pelo partido Libertad y Refundación (Libre) e procura continuar a linha de governo da atual presidente das Honduras, Xiomara Castro. O slogan de sua proposta é democratizar a economia e fortalecer o Estado.
O objetivo, diz ela, é “quebrar os alicerces” de um modelo econômico que empobreceu o povo de Honduras. Moncada diz que é preciso “salvar o que é público” e rejeita a concentração de riqueza: “Todos devemos pagar impostos, e quem tem mais deve pagar mais”.
Suas propostas, ligadas às ideias da esquerda e dos aliados de Xiomara Castro, enfrentam dois principais adversários: o conservador Nasry “Tito” Asfura, candidato do Partido Nacional de Honduras, e o centrista Salvador Nasralla, do Partido Liberal.
De professora rural a candidata a presidente
Rixi Moncada cresceu na cidade de Talanga, localizada a cerca de 50 quilômetros da capital hondurenha, Tegucigalpa, segundo sua biografia oficial.
Sua história de compromisso social começou aos 18 anos, quando trabalhou como professora rural durante sete anos.
Anos depois, exerceu a advocacia, também como tabeliã e juíza, com especialização em Direito Penal e Processo Penal. Com esse conhecimento, desde 1999 assessorou o Ministério Público de Honduras e diversas comissões do Congresso Nacional na elaboração de projetos de lei, enquanto lecionava na Universidade Nacional Autônoma de Honduras.
Em 2008, durante o governo do presidente Manuel Zelaya, Moncada assumiu a gestão da Empresa Nacional de Energia Elétrica (ENEE) e foi também secretária do Trabalho e Segurança Social.
Com o golpe de Estado que derrubou Zelaya, em 2009, ela assumiu um papel fundamental na coordenação das ações políticas do exílio. Moncada participou da fundação do partido coordenado por Zelaya, o Libre, que hoje representa Castro e com o qual buscará dar continuidade ao seu legado: o
Em 2019, foi eleita pelo Congresso para presidir o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e foi a primeira mulher a ocupar esse cargo. Quando Xiomara Castro, esposa de Zelaya, venceu as eleições em 2021 e se tornou presidente de Honduras em 2022, Moncada assumiu o cargo de ministra das Finanças e depois se tornou ministra da Defesa.
Quais são as propostas de Rixi Moncada?
Para um mandato de 2026 a 2030, a candidata propõe a democratização da economia para reverter o que considera um “modelo neoliberal” que o governo estabeleceu após o golpe de Estado de 2009.
Entre outras medidas, quer promover créditos para a indústria, fortalecer as atividades produtivas nas zonas rurais, apoiar as pequenas e médias empresas e o setor informal na geração de empregos.
Moncada tem um discurso combativo sobre os grandes grupos econômicos e propõe uma Lei de Justiça Tributária. “Os grupos de poder têm de pagar impostos”, disse ela em um evento público de campanha.
A candidata do Libre propõe reformas estruturais na Constituição e nas leis de Honduras que, segundo ela, levaram ao golpe de Estado e a uma crise institucional no país. “Quero um projeto de reforma constitucional para que a justiça seja aplicada com rigor e acabe com o regime de corrupção e impunidade”, afirma Moncada.
A corrupção, um dos temas que mais preocupa os hondurenhos, está muito presente na campanha eleitoral dos candidatos. Moncada diz que será “implacável contra a corrupção público-privada” e que, se vencer, “não haverá intocáveis nem pactos de impunidade”.
A candidata ainda promove programas de habitação social, planos de integração da cobertura de saúde mental no sistema público e bolsas de estudo, entre outras iniciativas.
O “fantasma” do comunismo
Em meio à tensão entre alguns países da América Latina e do Caribe e os Estados Unidos, Moncada evitou falar sobre a Venezuela durante a campanha, mas em algumas publicações fez referência ao “fantasma do comunismo” que rodeia a sua candidatura.
“Rixi tem o plano para a Venezuela”, diz um dos anúncios de campanha. Na propaganda, uma cidadã hondurenha conversa com dois “fantasmas” que alertam sobre o comunismo e dizem para não votar na candidata do governo. “O fantasma do comunismo volta com as mesmas velhas histórias, mas a realidade fala mais alto”, escreveu Moncada na divulgação da publicação.
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou apoio público a um dos candidatos da oposição, Nasry “Tituto” Asfura, para “lutar” contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Ele também se referiu a Moncada como “próxima do comunismo”.
“Me chamam de comunista para esconder a verdade: temem a democratização da economia, têm pavor da Lei da Justiça Fiscal; e querem que o dinheiro continue sendo um privilégio das dez famílias (mais ricas do país) e não um direito a favor do Povo”, disse a candidata nas redes sociais, sem mencionar Trump.
Amor pela música
Nem tudo é política na vida de Rixi Moncada. Ela coleciona discos, gosta de cantar e diz admirar a vida que os músicos levam, entre palcos e turnês. Foi o que disse em “El cancionero de Rixi”, vídeo que publicou nas suas redes sociais onde canta trechos de canções de José Luis Perales e José José.
Se tivesse que optar por fazer algo que não estivesse ligado à política, não tem dúvidas: “Se tivesse que mudar de vida, escolheria a música. Trocaria pela dança e pelo canto”.

