Início / Versão completa
geral

Petrobras planeja diesel coprocessado com 20% de conteúdo renovável

Por CNN 18/12/2025 03:25

Um combustível idêntico ao diesel fóssil que de tão parecido é difícil identificar qual é qual até mesmo com testes de laboratório.

Essa é a proposta da Petrobras com o novo Diesel-R, uma mistura do tradicional combustível fóssil com óleos vegetais.

Atualmente, a estatal consegue alcançar apenas a concentração de 10% de insumos renováveis no combustível, mas mira dobrar o nível nos próximos anos em meio à estratégia de avançar na agenda de sustentabilidade.

Ao CNN Money, Magda Chambriard, CEO da Petrobras, destacou o impacto positivo do produto na redução de emissões de gases poluentes.

“Nessa parte de óleo vegetal, conseguimos uma redução de emissões de 87%, isso significa uma redução de emissões importante no Brasil e o compromisso da Petrobras com a descarbonização”.

Leia Mais

 

 

Para avançar para o patamar de 20%, serão necessários novos investimentos no curto prazo — um movimento que já está no pipeline da empresa.

“Ele é tão escalável que nós já estamos investindo, o projeto já está na rua, para a primeira biorrefinaria 100% no Brasil, no Rio grande do Sul”, diz a CEO.

O óleo de soja a Petrobras usa é igual ao usado para cozinha. A matéria-prima chega na refinaria para ser misturado com diesel mineral. A mistura vira hidrogênio e tira poluentes contaminantes.

O resultado é um combustível idêntico ao S-10, já usado em veículos, sem a necessidade de adaptações.

O foco do produto está em clientes que buscam reduzir a pegada de carbono e cumprir metas ambientais voluntárias. A Volvo faz parte deste grupo, e usa o combustível em diferentes frentes na sua planta de produção de Curitiba.

“Estamos utilizando para o primeiro abastecimento de todos os caminhões que são abastecidos na fábrica, e também utilizamos esse combustível em todos os testes que realizamos dentro da planta”, explica Alan Holzmann, diretor de estratégia e planejamento de produto caminhões da Volvo.

O produto será uma evolução do Diesel-R10, lançado durante a COP30 e utilizado para abastecer os ônibus que transportaram participantes da cúpula do clima, realizada em Belém.

Atualmente, a linha Diesel-R, em diferentes concentrações, é comercializada apenas para grandes consumidores que, de forma voluntária, buscam reduzir suas emissões de carbono. A venda ocorre sob demanda, sem produção contínua.

Na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), por exemplo, a capacidade instalada é de até 60 milhões de litros do combustível. Ainda assim, a produção depende do apetite dos parceiros.

O aumento da concentração de conteúdo renovável para 20% envolve desafios técnicos e financeiros. O processo de hidrotratamento do diesel coprocessado demanda maior volume de hidrogênio do que o diesel convencional e resulta em uma reação mais instável.

“Por passar por esse processo de remoção de impurezas, ele tem uma condição de estabilidade e dificuldade maior de formação de gomas e outros componentes que podem ser prejudiciais ao motor”, detalha Edson Bruel, gerente de empreendimentos da RPBC.

Além disso, o projeto precisa ser economicamente viável. Hoje, o biodiesel é comercializado a preços muito próximos aos do diesel fóssil, o que limita margens e pressiona a competitividade do produto.

Essa estratégia deve orientar a atuação da Petrobras na transição energética ao longo da próxima década. De acordo com a presidente da companhia, o foco da estatal seguirá concentrado em soluções baseadas em “moléculas”, ou seja, combustíveis líquidos.

Indústria de biocombustíveis propõe quadruplicar produção até 2035

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.