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Ameaça de Trump em taxar parceiros do Irã traz incertezas ao Brasil

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Ameaça de Trump em taxar parceiros do Irã traz incertezas ao Brasil

A ameaça de Donald Trump em taxar em 25% os países que mantiverem negócios com o Irã gera incerteza ao Brasil, que vê em Teerã um dos principais parceiros no Oriente Médio, segundo analistas ouvidos pelo CNN Money.

O republicano informou nessa segunda-feira (12) que a medida terá efeito imediato.

Em 2025, as exportações brasileiras ao país persa ultrapassaram os US$ 2,9 bilhões — o quinto maior destino das vendas nacionais na região, segundo dados do governo federal.

Joelson Sampaio, professor de Finanças na FGV (Fundação Getulio Vargas) ressalta que ainda há poucas informações sobre a medida anunciada por Trump, o que dificulta prever os reais efeitos da medida.

“Não temos uma clareza de como vai ser interpretada essa relação comercial, se será entre governo ou empresas”, explica.

“Trump utiliza dessas políticas para pressionar e conseguir algum tipo de negociações, é uma estratégia para trazer vantagem aos EUA”, diz.

O agronegócio é o principal motor do comércio entre Brasil e Irã. Dos cinco principais produtos exportados ao país persa, quatro são do setor. A lista é liderada pelo milho, seguido pela soja, açúcares, farelos de soja para animais e petróleo.

Os iranianos compraram mais de US$ 1,9 bilhão do milho brasileiro em 2025.

Escalada das tensões

O anúncio mostra uma nova escalada nas relações entre Teerã e Washington, em meio ao aumento dos protestos contra lideranças no país persa.

Nesta segunda, o Irã afirmou estar preparado para um possível conflito armado com os Estados Unidos, mas também se mostrou aberto a negociações diplomáticas. A apuração é de Américo Martins, ao Bastidores CNN.

“O governo do Irã fez uma declaração de que o país estaria preparado para a guerra em uma resposta às pressões dos americanos, que ameaçam atacar pontos do Irã, como disse o próprio presidente Trump, mas, o ministro também disse que existe espaço para o diálogo”, apontou Martins sobre declaração feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A situação no país persa tem se agravado nas últimas semanas, com manifestações populares sendo duramente reprimidas pelas autoridades. Segundo relatos, centenas de pessoas teriam sido mortas e presas durante os protestos, embora seja difícil confirmar os números exatos devido às restrições de informação impostas pelo regime.

“Essa situação do Irã está começando a sair do controle das próprias autoridades iranianas”, disse Martins: “Com elevado número de pessoas sendo mortas, reprimidas e também presas, embora seja impossível confirmar os números”.

As manifestações, que começaram com reivindicações econômicas, rapidamente evoluíram para protestos políticos contra o regime dos aiatolás. Os manifestantes têm protestado contra o alto custo de vida, a inflação elevada e a desvalorização da moeda nacional, mas também pedem o fim da ditadura que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

Recuo das tarifas em 2025

Grande parte dos produtos brasileiros vendidos aos EUA tiveram tarifas de 40% removidas no fim de novembro de 2025.

Dentre os produtos citados em anexo, estão inclusos café, carne bovina, petróleo, frutas e peças de aeronaves, produtos dentre os mais exportados pelo Brasil aos norte-americanos, que agora não sofrerão mais sobretaxas impostas com o início do tarifaço.

A ação reverte o decreto de 30 de julho, que citava “emergência nacional” em razão das políticas e ações “incomuns” e “extraordinárias” do governo brasileiro que, segundo o republicano, prejudicavam empresas americanas, os direitos de liberdade de expressão dos cidadãos dos EUA e a política externa e a economia do país, de modo geral para justificar cobrança de sobretaxas.

O comunicado assinado por Trump também cita conversa por telefone com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 6 de outubro, na qual os líderes teriam concordado em negociar as tarifas citadas.

O republicano afirma que “recomendações adicionais” da equipe do governo norte-americano, o avanço nas negociações com os brasileiros e a demanda interna levaram à remoção das cobranças.

*Com informações de Gabriel Garcia, da CNN

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