A fronteira entre Colômbia e Venezuela mantém-se tranquila apesar das recentes notícias sobre a captura de Nicolás Maduro. A repórter da CNN Luciana Taddeo está em Cúcuta, cidade colombiana que faz fronteira com San Antonio de Táchira, na Venezuela, e relata que a situação na região permanece normal.
Na ponte Simón Bolívar, um dos principais pontos de conexão entre os dois países, é possível observar a presença de integrantes do Exército Nacional colombiano posicionados com tanques. Segundo a repórter, o governo colombiano anunciou a formação de um comando único para lidar com uma possível crise humanitária, incluindo questões de saúde, caso haja um aumento no fluxo de migrantes venezuelanos tentando deixar o país.
Motoristas de táxi que fazem o trajeto entre os dois países relataram à repórter que as ruas venezuelanas estavam em “absoluto silêncio” no dia anterior, com pessoas receosas de sair às ruas. “O que eles me dizem é que o medo dessas pessoas de comemorar é justamente medo do chavismo“, explica Taddeo, referindo-se tanto à Guarda Nacional Bolivariana quanto aos grupos armados que defendem o regime.
Restrições e apreensão na fronteira
Um motorista que fez oito viagens entre a Colômbia e a Venezuela no dia anterior informou que foi advertido por um integrante da migração venezuelana para não levar estrangeiros para o país. Essa restrição à entrada de estrangeiros, especialmente jornalistas, tem sido uma característica do regime chavista nos últimos anos.
“É preciso conseguir visto para entrar na Venezuela e está muito difícil de conseguir, com o regime se fechando totalmente para o trabalho da imprensa internacional”, afirma a repórter. A região fronteiriça está repleta de jornalistas estrangeiros discutindo como fazer para entrar na Venezuela de forma legal e autorizada pelo regime.
Apesar da apreensão, a movimentação na fronteira segue normal. Não há um grande fluxo de pessoas entrando ou saindo, mas existe uma expectativa sobre possíveis mudanças na situação. A ponte Simón Bolívar, muito utilizada por venezuelanos que precisam acessar o aeroporto internacional de Cúcuta devido à deterioração da malha aérea venezuelana desde 2013, continua operando normalmente.
