A forte queda nos preços do arroz no mercado brasileiro foi um dos principais vetores por trás do desempenho financeiro da Camil Alimentos no terceiro trimestre fiscal de 2025. Mesmo com recuo relevante da commodity — que chegou a cair cerca de 50% para o consumidor e 30% para os produtores em relação ao ano anterior — a companhia conseguiu ampliar volumes vendidos, melhorar margens operacionais e entregar um Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) significativamente maior.
No período, a Camil registrou receita líquida de R$ 2,95 bilhões, queda de 5,1% na comparação anual, refletindo diretamente o menor preço médio do arroz, item central do portfólio da empresa. Ainda assim, o Ebitda avançou quase 40%, com o valor de R$ 239 milhões e expansão da margem para 8,1%.
Segundo analistas, o resultado mostra que a empresa conseguiu compensar parte da pressão de preços com aumento de volumes e melhora no mix de produtos, especialmente em categorias de maior valor agregado.
Análises
Em relatório sobre o trimestre, a XP Investimentos avaliou que os números vieram acima do esperado no nível operacional, destacando que o crescimento do lucro operacional foi impulsionado por maior participação de produtos com margens mais elevadas, além de ganhos de eficiência. Para a casa, apesar do cenário ainda desafiador para preços de commodities, a performance operacional indica maior capacidade da companhia de atravessar ciclos adversos.
A leitura é semelhante no Itaú BBA, que vê os resultados como um passo importante no processo de recuperação da rentabilidade. O banco destaca que, mesmo com o arroz pressionando a receita, a estratégia de diversificação e disciplina de custos tende a sustentar uma melhora gradual dos resultados ao longo dos próximos trimestres, especialmente se houver normalização parcial dos preços agrícolas.
Do ponto de vista operacional, a Camil reportou crescimento de dois dígitos nos volumes totais vendidos, beneficiada tanto pelo maior giro de produtos básicos quanto pelo avanço em categorias como massas, biscoitos, pescados e café. Esse movimento ajudou a diluir custos fixos e reduzir o impacto da deflação do arroz sobre a lucratividade.
Apesar da melhora operacional, analistas seguem atentos à alavancagem financeira (dívida líquida/Ebitda) que permanece elevada, e à volatilidade dos preços agrícolas, fatores que ainda limitam uma recuperação mais rápida do lucro líquido. Ainda assim, o consenso do mercado é que o trimestre mostrou sinais claros de adaptação da companhia a um ambiente menos favorável para commodities tradicionais.
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