O convite formal enviado pelo presidente americano Donald Trump para que o Brasil integre o novo Conselho de Paz para Gaza e outras zonas de conflito foi recebido pelo governo Lula com uma mistura de cautela diplomática e ceticismo técnico.
Enquanto a resposta oficial é de que o tema está sendo “examinado um dia de cada vez”, nos bastidores do Itamaraty e do Palácio do Planalto o diagnóstico é mais severo: auxiliares acreditam que o projeto não sairá do papel.
A percepção de que a iniciativa carece de sustentação internacional tornou-se o principal trunfo do governo brasileiro. Se o Conselho for percebido globalmente como um projeto personalista e sem adesão de grandes potências europeias, o Brasil poderá declinar o convite argumentando a defesa do multilateralismo e das Nações Unidas, sem que isso soe como uma afronta direta à administração americana.
Diante de uma proposta considerada “pior que o esperado”, a recomendação de assessores é que Lula não tenha pressa. A aposta é que o projeto sofra resistência semelhante de países como França, como já indicado pelo presidente Emmanuel Macron, e Alemanha. Se o Conselho não ganhar tração entre os membros do G7 ou outros parceiros do BRICS, o Brasil espera que a ideia “perca força por si só”.
A decisão final de Lula levará em conta o pragmatismo econômico. O governo não quer ser o primeiro a dizer “não” de forma barulhenta, preferindo observar se a iniciativa se tornará um órgão fantasma antes de formalizar qualquer recusa. Para o Planalto, se o Conselho de Trump for apenas um “clube de aliados”, o lugar do Brasil certamente não será à mesa.

