Bancos esperam desaceleração do crédito em 2026, diz pesquisa

A desaceleração do crédito em 2026 deve acontecer de forma gradual, chegando a 8,2%, aponta uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Para 2025, a expectativa é que o crescimento seja de 9,2%.

A projeção está em linha com os números recentes do mercado de crédito, em que mantém o crescimento anual do saldo total elevado, apesar da alta da taxa Selic, que atualmente está em 15% ao ano.

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Na pesquisa anterior, feita em 2024, a expectativa para 2025 era de uma alta de 8,9%. A nova estimativa de 9,2% reflete o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado, com a projeção subindo de 10,1% para 10,9%.

Segundo a Febraban, esse movimento é explicado pelo crédito Pessoa Jurídica (PJ) que cresceu 15,3%, ante 13,6%, e que segue com alto nível de expansão, sustentado pelos programas governamentais.

“Ainda sobre o saldo de crédito em 2025, na carteira direcionada para famílias, a expectativa de crescimento também subiu, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, compensando o menor dinamismo do crédito rural”, diz a pesquisa.

Com relação a carteira livre, também sobre o saldo estimado para 2025, a expectativa de crescimento caiu marginalmente de 8,1% para 8,0%.

A revisão, segundo a federação, decorreu do menor crescimento esperado para a carteira PJ, que recuou de 5,1% para 3,6%, em razão das condições financeiras mais apertadas, elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da concorrência com as operações direcionadas e o mercado de capitais.

Projeções para 2026

73% dos analistas ouvidos pela pesquisa acreditam que o saldo total deve desacelerar, mas apenas de forma gradual. Além disso, 15,8% dos participantes esperam que o crédito mantenha o ritmo atual de expansão no próximo ano.

Com isso, a pesquisa também captou um aumento na projeção de crescimento do saldo de crédito total, que subiu de 7,9% para 8,2%.

Para o diretor de economia da Febraban, Rubens Sardenberg, a alta das projeções do saldo do crédito para 2026 estão em linha com as divulgações recentes, que mostram que 2025 foi marcado por uma moderação bastante gradual do mercado de crédito, que permaneceu com um crescimento razoavelmente robusto, mesmo com o elevado nível da taxa Selic.

“Para 2026, a expectativa é que essa desaceleração gradual prossiga ao longo do ano, levando a um crescimento de 8,2%, com o movimento sendo liderado pela carteira Direcionada PJ, dada a elevada base de comparação deste segmento, que tende a fechar 2025 com alta superior a 15%”, disse.

Inflação e Selic

A pesquisa, realizada sempre após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também aponta que a maioria dos bancos acredita que o início do ciclo de queda da taxa Selic deverá ocorrer apenas na reunião de março.

Ou seja, a taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano na reunião de janeiro, com reduções consecutivas de 0,50 pp a partir da segunda reunião do ano.

“A evolução recente do cenário econômico, somado à comunicação do BC, tem levado o mercado a convergir para uma expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic a partir de março. A principal questão agora parece ser qual velocidade o Copom conseguirá cortar os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e indicam uma trajetória moderada de corte dos juros, apesar do alto nível da Selic.”, avaliou Sardenberg.

Além disso, para 50% dos participantes, a inflação em 2026 deve seguir em linha com o consenso do mercado, ou seja, permanecendo acima da meta, de 3% ao ano, devido aos estímulos fiscais e de crédito.



Fonte: Metrópoles

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