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Bancos reforçam aposta para queda dos juros em março, diz pesquisa

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Bancos reforçam aposta para queda dos juros em março, diz pesquisa

As apostas para o início do ciclo de queda dos juros pelo BC (Banco Central) em março ganharam mais força entre as instituições bancárias após o tom mais duro da autarquia na última reunião de 2025, mostrou pesquisa da Febrabran (Federação Brasileira de Bancos), divulgada nesta quinta-feira (1º).

O levantamento apontou que 70% dos bancos pesquisados acreditam no corte da Selic, atualmente em 15%, no encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) de março. Antes, 54,5% acreditavam nessa possibilidade.

Em contrapartida, diminuiu a parcela de quem via o corte já em janeiro, passando de 45,5% para 30%.

A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban ouviu 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro.

O BC frustrou as expectativas do mercado com tom mais duro na última reunião do Copom, em dezembro, em não sinalizar que poderia começar o ciclo de afrouxamento monetário já no primeiro mês e 2026.

Os juros estão mantidos em 15% desde junho, no maior patamar desde 2006. A expectativa dos mercados é pelo recuo dos juros a 12,25% ao fim deste ano, segundo o Boletim Focus.

“A principal questão agora parece ser qual velocidade o Copom conseguirá cortar os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e indicam uma trajetória moderada de corte dos juros, apesar do alto nível da Selic”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Inflação

O levantamento mostrou ainda que, para 50% dos participantes, a inflação em 2026 deve seguir em linha com o consenso do mercado, ou seja, permanecendo acima da meta, devido aos estímulos fiscais e de crédito.

Por outro lado, 35% projetam uma inflação abaixo do consenso, sugerindo uma continuidade do viés de queda das projeções.

O BC persegue meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Atividade

Em relação à atividade, a pesquisa mostrou uma melhora do sentimento dos participantes para 2026.

O percentual de analistas que projetam um crescimento de 1,8% para o ano subiu de 36,4% para 55%.

Por outro lado, caiu de 45,5% para 30% a proporção daqueles que esperam um crescimento inferior ao esperado pelo consenso do mercado.

Crédito perde fôlego

A maioria dos bancos espera que a carteira de crédito total em 2025 feche o ano com crescimento de 9,2%, e desacelere de forma bem gradual em 2026, chegando a 8,2%.

Esta projeção está em linha com os números recentes do mercado de crédito, cujo crescimento anual do saldo total tem se mantido ainda elevado, apesar da alta da Selic.

Na pesquisa anterior, a expectativa para 2025 era de uma alta de 8,9%. A estimativa de 9,2% reflete o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado, com a projeção subindo de 10,1% para 10,9%.

Esse movimento é explicado pelo crédito PJ (15,3%, ante 13,6%), que segue com alto nível de expansão, sustentado pelos programas governamentais.

Ainda sobre o saldo de crédito em 2025, na carteira direcionada para famílias, a expectativa de crescimento também subiu, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, compensando o menor dinamismo do crédito rural.

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