O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à agência Reuters que sanções adicionais dos EUA contra a Venezuela podem ser suspensas já na próxima semana para facilitar as vendas de petróleo, e que ele também se reunirá na próxima semana com os chefes do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial para discutir a retomada das relações com a Venezuela.
Bessent afirmou em entrevista na noite de sexta-feira (10) que quase US$ 5 bilhões em ativos monetários venezuelanos do programa Direitos Especiais de Saque (DES) do FMI, atualmente congelados, poderiam ser utilizados para ajudar na reconstrução da economia do país.
“Estamos retirando as sanções ao petróleo que será vendido”, disse Bessent durante uma visita a uma unidade de engenharia da Winnebago Industries.
O Departamento do Tesouro estava analisando mudanças que facilitariam a repatriação da receita da venda do petróleo, armazenado principalmente em navios, de volta para a Venezuela.
“Como podemos ajudar esse dinheiro a voltar para a Venezuela, para administrar o governo, administrar os serviços de segurança e entregá-lo ao povo venezuelano?”, disse ele sobre a análise das sanções do Departamento do Tesouro.
Questionado sobre quando mais sanções poderiam ser suspensas contra a Venezuela, Bessent disse: “Poderia ser já na próxima semana“, mas não especificou quais.
As medidas fazem parte do esforço do governo Trump para estabilizar a Venezuela e incentivar o retorno dos produtores de petróleo americanos ao país, uma semana depois de as forças dos EUA terem capturado o líder venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e o terem levado para Nova Iorque para responder por acusações de tráfico de drogas.
As sanções dos EUA proibiram bancos internacionais e outros credores de negociar com o governo venezuelano sem uma licença.
As instituições alegaram que isso representa um obstáculo para uma complexa reestruturação da dívida de US$ 150 bilhões, amplamente considerada fundamental para o retorno do capital privado à Venezuela.
Na sexta-feira à noite, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva impedindo que tribunais ou credores confisquem a receita petrolífera venezuelana mantida em contas do Tesouro dos EUA, declarando que esses fundos devem ser protegidos para ajudar a Venezuela a criar “paz, prosperidade e estabilidade”.
Reengajamento do FMI e do Banco Mundial
Bessent, que controla a participação majoritária dos EUA no FMI e no Banco Mundial, disse que as duas instituições já o haviam contatado a respeito da Venezuela.
O secretário afirmou que o Tesouro dos EUA estaria disposto a converter os Direitos Especiais de Saque (DES) da Venezuela mantidos no FMI em dólares para serem usados na reconstrução da Venezuela.
A Venezuela possui atualmente cerca de 3,59 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DES), que equivalem a aproximadamente US$ 4,9 bilhões à taxa de câmbio de sexta-feira, mas não tem acesso a eles no momento. Os DES são compostos por dólares, euros, ienes, libras esterlinas e yuans chineses.
No ano passado, o Tesouro concordou em apoiar uma linha de swap de US$ 20 bilhões para a Argentina, em parte com Direitos Especiais de Saque (SDRs) daquele país sul-americano, em um esforço para estabilizar o peso e ajudar o partido do presidente argentino Javier Milei a vencer as eleições parlamentares.
Um porta-voz do FMI afirmou que o Fundo está acompanhando de perto os acontecimentos na Venezuela e se recusou a comentar a menção de Bessent a uma reunião na próxima semana.
O FMI não interage com a Venezuela há mais de duas décadas, sendo que a última avaliação formal da economia venezuelana pelo FMI foi concluída em 2004.
A Venezuela quitou seu último empréstimo com o Banco Mundial em 2007, quando o antecessor de Maduro, o falecido Hugo Chávez, declarou que a Venezuela “não precisaria mais recorrer a Washington” para obter financiamento.
Uma fonte familiarizada com as discussões internas do Banco Mundial sobre a Venezuela disse que a instituição financeira estava nos estágios iniciais de avaliação de como poderia ajudar o país, observando que o banco agiu rapidamente com assistência ao Afeganistão e à Síria após mudanças de regime e forneceu apoio inicial a Gaza e à Ucrânia.
Retorno das empresas
Bessent afirmou acreditar que empresas menores e de capital privado voltariam rapidamente ao setor petrolífero da Venezuela, apesar da relutância manifestada por algumas grandes petrolíferas, incluindo a Exxon Mobil, cujos ativos venezuelanos foram nacionalizados duas vezes.
“Acho que vai ser a progressão típica, em que as empresas privadas conseguem agir rapidamente e entram no mercado muito depressa. Elas não falaram nada sobre financiamento”, disse Bessent .
“A Chevron está presente há muito tempo e continuará lá, por isso acredito que seu compromisso aumentará consideravelmente.”
Bessent acrescentou que acreditava que o Banco de Exportação e Importação dos EUA tinha um papel a desempenhar na garantia do financiamento do setor petrolífero da Venezuela, ecoando comentários anteriores do Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.

