Vinte e quatro horas após se lançar pré-candidato a governador do Acre, o prefeito de Rio Branco, Sebastião Bocalom, distribui um caríssimo informativo impresso, cujo custo final não está na transparência pública (nem valores, nem o tomador do serviço, tampouco a número de exemplares), mas recheado de mentiras. É mais um capítulo do estelionato eleitoral promovido pelo gestor municipal, reeditando o paiol de promessas que ele jamais cumpriria lançadas ao eleitor quando se elegeu, em 2020, e mais recentemente, quando foi reeleito, em 2024.
A peça de 8 páginas, intitulada “Uma Nova Rio Branco”, trás como manchete “Viadutos (no plural), asfaltamentos e grandes obras por toda a cidade”.
As imagens que ilustram essa reportagem (veja acima), extraídas do informativo, dizem que a capital virou “um grande canteiro de obras” estimadas em mais de R$ 1 bilhão. Porém, não é preciso ouvir o cidadão riobranquense para notar a enorme diferença do que é afirmado e o que não existe sequer no papel.
O prefeito se nega a detalha o apoio do governo federal, mas enfatiza se tratar de recursos do próprio município, o que não é verdade, em mais uma tentativa de afirmar equilíbrio fiscal e saúde financeira, condições desmentidas pelos empréstimos (mais de R$ 500 milhões) contraídos junto a instituições financeiras com a aprovação dos vereadores.
Bocalom tenta induzir o povo a acreditar na existência de obras que estão paradas há anos, e noutras cujo prazo de execução findou há meses em razão de atrapalhos administrativos, perda de prazos por incompetência técnica e projetos mal elaborados. Insiste em repassar a falsa certeza de que Rio Branco tem edificações estruturantes revolucionárias que já estariam beneficiando a população – exemplo do Mercado Elias Mansour, Viaduto Mamédio Bittar, ali na AABB), o Parque da Criança, o novo terminal urbano e (pasmem) a construção de 2.371 casas populares em 14 bairros, cuja obra não sai da terraplanagem e ainda está envolta a falhas irreversíveis no campo da topografia e engenharia.
Bocalom passou dos limites ao afirmar que as unidades municipais de saúde fornecem “medicamentos à vontade” e que as filas nas Uraps, especialmente na madrugada, teriam sido zeradas.
Chama ainda atenção a falsa informação de que Rio Branco gera emprego e renda, citando produção de R$ 200 milhões anuais (mas sem revelar a fonte desse estudo). Também declara ter realizado 1.800 quilômetros de ramais, contradizendo as entidades de produtores rurais que promovem manifestações e outros atos contra a apatia do governo municipal.
Ainda nesta quarta-feira publicaremos as outras promessas não realizadas por Bocalom, incluindo aquelas que lhe deram a votação suficiente para ser prefeito por dois mandatos.

