As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chegam ao 18º dia nesta quarta-feira (21), sem novas informações sobre o paradeiro das crianças desaparecidas no território quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão.
Na manhã desta terça-feira (20), a PCMA (Polícia Civil do Maranhão), com apoio da Perícia Oficial, realizou uma nova diligência na região onde há indícios da passagem dos irmãos, na tentativa de identificar rotas e levantar elementos que possam auxiliar na localização das crianças.
Os irmãos desapareceram no dia 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata próxima às residências da comunidade. Desde então, as buscas foram ampliadas e entraram na terceira semana, com a mobilização de mais de 500 pessoas e o reforço de equipes especializadas de diferentes órgãos.
As investigações são conduzidas por uma comissão especial da Polícia Civil, formada por equipes da SHPP (Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa), da SPCI (Superintendência de Polícia Civil do Interior) e da Delegacia Regional de Bacabal. Segundo a SSP-MA (Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão), familiares, moradores da região e outras pessoas seguem sendo ouvidos de forma contínua, com o objetivo de reunir informações que possam esclarecer as circunstâncias do desaparecimento.
Com o avanço das apurações, as ações de busca passaram a se concentrar também no rio Mearim. As operações aquáticas e subaquáticas são realizadas pela Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos do Maranhão, e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão. As equipes realizam varreduras no leito do rio, no sentido da correnteza, priorizando pontos considerados críticos. Até o momento, não foram localizados vestígios, conforme informações da SSP-MA.
Para reforçar as buscas, as equipes utilizam o side scan sonar, equipamento do Centro de Hidrografia do Norte que emprega ondas sonoras para produzir imagens detalhadas do fundo do rio, mesmo em condições de baixa visibilidade, como as águas turvas do Mearim. A operação prevê a varredura de aproximadamente 19 quilômetros do curso do rio, com prioridade para os três quilômetros iniciais, a partir do principal ponto de interesse apontado pelas investigações.
O que se sabe sobre o desaparecimento dos dois irmãos no Maranhão
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1 de 6Casa abandonada na zona rural de Bacabal (MA) encontrada por cães farejadores que participam das buscas por crianças desaparecidas. • SSP-MA
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2 de 6Operação de busca envolve mais de 500 pessoas, incluindo Corpo de Bombeiros, polícia civil, polícia militar, CTA (Centro Tático Aéreo), Perícia Oficial e Exército Brasileiro, além de diversos voluntários. • SSP-MA
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3 de 6O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, acompanhou o processo de buscas pessoalmente. • SSP-MA
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4 de 6De acordo com o secretário, os cães farejadores também percorreram uma ribanceira próxima a um lago, mas não encontraram sinais recentes de presença de adultos ou vestígios de alimentos. • SSP-MA
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5 de 6Mais de 60% de uma área de 54 km² já foi vistoriada, organizada em quadrantes para permitir um trabalho detalhado em meio à mata densa e trilhas irregulares. • SSP-MA
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6 de 6SSP informou que as buscas serão intensificadas, com ampliação da área de varredura, incursões subaquáticas, patrulhamento por terra, além do uso de drones e helicópteros. • SSP-MA
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Esse ponto fica no povoado São Raimundo, em uma área conhecida como “casa caída”, onde cães farejadores indicaram a passagem das crianças. De acordo com a SSP-MA, os cães confirmaram detalhes do relato de Anderson Kauã, primo das vítimas, de 8 anos, encontrado com vida no dia 7 de janeiro.
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Segundo a SSP-MA, os cães conseguiram identificar que as três crianças estiveram no imóvel abandonado e seguiram trajetos distintos ao deixarem o local. As equipes também percorreram uma ribanceira próxima a um lago, mas não encontraram indícios recentes da presença de adultos, nem vestígios de alimento ou água.
Em coletiva de imprensa na última semana, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que nenhuma linha de investigação foi descartada. Segundo ele, até o momento não há indícios da participação de terceiros no desaparecimento, embora todas as hipóteses continuem em apuração. A principal linha de trabalho considera que as crianças possam ter saído sozinhas e se perdido na mata.

