A Polícia Civil chegou, na manhã desta quarta-feira, ao endereço de um auxiliar de farmácia, servidor do Governo do Acre, na segunda fase da operação que apreendeu grande quantidade de insumos, medicamentos e materiais hospitalares desviados na Secretaria de Estado de Saúde do Acre. O servidor foi surpreendido ainda cedo e, com ele, foram apreendidos R$ 31 mil, dólares americano e canadense e moeda boliviana (veja mais detalhes abaixo).
O servidor é lotado na Diretoria Clínica da Secretaria de Saúde, atendendo diretamente ao setor de Nefrologia. A ação policial foi motivada pelo secretário Pedro pascoal, que conseguiu rastrear os materiais furtados.
O secretário pediu a prisão dos criminosos, e deve, no momento oportuno, abrir sindicância interna que deve resultar na demissão dos servidores envolvidos.
Neste momento, somente o farmacêutico aposentado Eugênio Gonçalves foi preso. Um caminhão baú cheio de materiais foi retirado da casa onde o aposentava morava, nesta terça-feira. Ele recebeu o benefício da prisão domiciliar humanitária e passou a usar tornozeleira eletrônica após comprovar que tem comorbidades em decorrência da diabetes e pressão alta.
A operação faz parte de uma investigação mais ampla que apura a atuação de uma rede criminosa, responsável por retirar medicamentos do sistema público de saúde para comercialização ilegal.
Abaixo, a nota do Governo do Estado sobre a operação desta quarta-feira:

Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam aparelhos celulares contendo mensagens que fortalecem as provas sobre a existência do esquema criminoso. Também foram encontrados mais de R$ 31 mil em espécie, além de dinheiro em moeda estrangeira, incluindo 902 dólares, 40 bolivianos, 335 dólar canadense, e também de medicamento de uso controlado.
A ação desta quarta-feira é um desdobramento direto de uma grande operação realizada na última segunda-feira, 5, quando a Polícia Civil chegou a uma residência em Rio Branco e encontrou uma grande quantidade de fármacos armazenados em caixas. O volume de medicamentos apreendidos foi suficiente para preencher a carroceria de dois caminhões de médio porte.
Entre os itens recolhidos estavam medicamentos de diversos tipos, incluindo remédios destinados ao tratamento oncológico e outros insumos hospitalares de alto custo. De acordo com um balanço inicial das autoridades, o valor estimado de todo o material apreendido ultrapassa R$ 1 milhão.

O delegado Igor Brito, que preside as investigações, ressaltou que o trabalho da Polícia Civil segue avançando e que novas medidas judiciais devem ser adotadas nos próximos dias.
“As investigações estão em pleno andamento e não estão descartados novos cumprimentos de mandados. A instituição está empenhada para que possamos identificar toda a cadeia criminosa, alcançar os receptadores desses medicamentos e também os servidores que, porventura, estejam envolvidos nesse esquema”, afirmou o delegado.
De acordo com o delegado-geral José Henrique Maciel, o foco da Polícia Civil é desarticular completamente a cadeia criminosa, desde o desvio dos medicamentos até o destino final dos produtos.
“Estamos tratando de medicamentos que deveriam chegar de forma gratuita à população, especialmente a quem mais precisa. Retirar esses insumos do sistema público é um crime grave, que impacta diretamente a saúde das pessoas. O governo do Estado, através da Polícia Civil, não vai medir esforços para responsabilizar criminalmente todos os envolvidos”, enfatiza.
As investigações prosseguem, e a PCAC não descarta novas operações e prisões à medida que o inquérito avança.
