Sebastião Bocalom joga a sua vida pelo sonho de ser governador do Acre. Trairá a confiança do governador, da vice Mailza Assis e até mesmo do seu principal apoiador nesse momento: o senador Márcio Bittar. Aliás, pouco – ou nada – interessa para ele a pecha de traidor. Mesmo que sozinho, manterá o plano.
Ele perdeu em 2006, logo após renunciar à Prefeitura de Acrelândia, ficando em terceiro lugar, atrás do próprio Bittar e do petista Binho Marques, eleito. E perdeu em 2010, quando Tião Viana venceu.
A reportagem de oseringal sondou um emissário do prefeito que se encontrou com um alto assessor de Bittar, e revela o teor desse encontro.
Bocalom admite ter mágoas de Bittar, que deveria compreender que o prefeito já tem 80 anos, e sua vez de ser eleito governador “é agora ou nunca”. O prefeito também considera que “Bittar, por ser 18 anos mais novo, teria muito mais tempo para se projetar na política”, e citou como possibilidade as eleições para prefeito de Rio Branco, daqui a quase três anos, caso ele não seja reeleito senador.
O emissário do prefeito lembra que Bocalom não pode buscar uma segunda reeleição e, caso perca a disputa para o governo agora, teria que esperar 2030 (aos 85 anos de idade) para tentar voltar à prefeitura de Rio Branco ou 2032 (aos 87 anos de idade) para voltar á cena política na eleição para o governo. Considera estar velho para a vida pública.
Já o emissário de Bittar, ao ouvir tais argumentos, calou, e disse que levaria o recado ao senador.
A reportagem também apurou que Bocalom comunicou a Bittar que sua candidatura ao governo seria inegociável.

