A Enel Distribuição São Paulo informou que o total de clientes impactados pelo apagão provocado pelo ciclone extratropical que atingiu o estado em dezembro foi, na verdade, de 4,4 milhões. A empresa reconheceu que o número é “significativamente maior” do que o informado inicialmente à Agência Nacional de Energia Elétrica.
O documento retificado com essas informações foi enviado à Aneel em 19 de dezembro.
Segundo a distribuidora, o dado de 2,2 milhões de consumidores afetados — número registrado anteriormente — corresponde apenas ao pico de clientes desligados simultaneamente, e não ao volume acumulado ao longo do apagão.
A empresa afirmou ainda que, por cerca de 12 horas seguidas de ventania, equipes reconectavam consumidores enquanto outros voltavam a ser afetados, o que elevou o total de impactados na análise posterior.
O que diz a Enel
“A Enel Distribuição São Paulo informa que o número de 2 milhões de clientes impactados nos dias do ciclone extratropical, dias 10 e 11 de dezembro, corresponde ao pico de clientes registrados, em tempo real, simultaneamente. Foram 12 horas seguidas de fortes ventos e, na medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval.
O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, apurado em análise posterior ao evento climático. Os dados são auditados pela agência. As informações foram encaminhadas à Aneel no dia 19 de dezembro.
Atuaram em campo: dia 10, 1.688 equipes; dia 11, 1.768 equipes; dia 12, 1.775; dia 13, 1.409. A quantidade de equipes se concentrou principalmente durante o dia, dada a natureza do evento e para que fosse amplificada a produtividade das equipes.”
Ciclone extratropical e notificação
O ciclone extratropical provocou rajadas de vento que chegaram a 90 km/h em diferentes pontos da Grande São Paulo, derrubando árvores, danificando a rede elétrica e afetando o trânsito na capital. Em São Paulo, o apagão deixou mais de 2 milhões (agora retificado para 4,4 milhões) de pessoas sem energia e atingiu, em alguns municípios, mais de 80% dos consumidores, segundo a Enel.
No auge do temporal, a distribuidora mobilizou 1.688 equipes em campo no dia 10. O número subiu para 1.768 no dia 11 e chegou a 1.775 no dia 12, diminuindo para 1.409 em 13 de dezembro. A Enel relatou que concentrou os serviços principalmente durante o dia para “amplificar a produtividade das equipes”.
Com milhões de clientes afetados com a falta de energia em SP, a Aneel enviou um ofício à empresa cobrando explicações sobre o episódio e questionando por que o plano de contingência não garantiu recomposição mais rápida do serviço. A agência pediu detalhes técnicos, laudos meteorológicos e a curva completa de recomposição.
O documento também mencionou a reincidência de falhas e aponta que o desempenho abaixo do esperado pode levar, em último caso, à caducidade da concessão.
Em resposta, a Enel atribuiu os desligamentos às fortes rajadas de vento e ao impacto de galhos e objetos sobre a rede elétrica e garantiu que trabalha para reforçar protocolos e ampliar a resposta a eventos climáticos extremos.
*Sob supervisão de Pedro Osorio

