A operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, neste sábado (3), deve ter um impacto limitado no preço do petróleo mundial no primeiro momento e pode ser acompanhada de uma queda nos preços futuros, segundo especialistas do setor. De acordo como analista Victor Irajá, no Agora CNN, apesar de o país sul-americano possuir a maior reserva petrolífera do mundo, estimada em cerca de 300 bilhões de barris, sua capacidade atual de produção é considerada ínfima quando comparada a outros grandes produtores.
De acordo com análises do mercado, a Venezuela consegue produzir apenas entre 800 mil e 900 mil barris de petróleo por dia, número significativamente inferior ao de países como a Arábia Saudita, detentora da segunda maior reserva mundial, que mantém uma produção de aproximadamente 9 milhões de barris diários. Essa baixa produtividade é resultado da deterioração das atividades e da infraestrutura da PDVSA, estatal petrolífera venezuelana.
Perspectivas para o mercado internacional
Segundo Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) e especialista em mercado de petróleo, a tendência é que o preço do petróleo reaja em movimento baixista após a ação americana. Esse cenário não seria consequência direta da atual produção venezuelana, mas sim da expectativa de que empresas norte-americanas possam ingressar na produção petrolífera do país, conforme indicado por Donald Trump.
O incremento na oferta de petróleo a médio e longo prazo, caso as empresas americanas efetivamente assumam operações na Venezuela, tende a pressionar os preços para baixo. Vale lembrar que o mercado já vinha registrando quedas significativas em 2025, com o WTI recuando quase 20% e o Brent cedendo cerca de 15%, com o barril sendo negociado em torno de US$ 60.
A situação atual representa mais um capítulo na complexa relação entre Estados Unidos e Venezuela no setor petrolífero. Em 2017, os EUA impuseram sanções ao país sul-americano, posteriormente revogadas em 2023, quando voltaram a comprar petróleo venezuelano, embora em volume muito inferior ao praticado anteriormente. Após as contestadas eleições recentes na Venezuela, novas sanções foram aplicadas e a compra de petróleo foi novamente interrompida.
Atualmente, empresas como a Exxon já mantêm joint ventures com a PDVSA, produzindo petróleo em pequena escala no território venezuelano. A infraestrutura existente, somada à experiência de petroleiras americanas que já operam na vizinha Guiana, pode facilitar uma eventual expansão da produção sob controle norte-americano, caso o cenário político se mantenha favorável a essa possibilidade.
