O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou dezenas de líderes mundiais para se juntarem ao Conselho da Paz, um grupo que pretende resolver conflitos globais.
De toda forma, diplomatas dizem que isso pode prejudicar o trabalho da ONU.
E embora alguns aliados tradicionais dos EUA tenham adotado cautela sobre o assunto e, em alguns casos, rejeitado a oferta de Trump, outros, incluindo nações que há muito tempo têm relações tensas com Washington, como Belarus, aceitaram o convite.
O que é o conselho de paz de Trump?
Trump propôs pela primeira vez a criação do Conselho de Paz em setembro de 2025, quando anunciou seu plano para encerrar a guerra em Gaza. Posteriormente, o líder americano deixou claro que a atuação do conselho seria expandida para além de Gaza, abrangendo outros conflitos ao redor do mundo.
O conselho terá a missão de promover a paz em todo o mundo e trabalhar para resolver conflitos, de acordo com uma cópia da minuta da carta constitutiva vista pela agência Reuters.
O presidente dos EUA chegou a sugerir que o grupo “poderia” substituir a ONU, o que agravou preocupações de especialistas.
De acordo com a carta constitutiva, os países integrantes teriam mandatos limitados a três anos, a menos que paguem US$ 1 bilhão.
Segundo apuração da correspondente da CNN Brasil Priscila Yazbek, um funcionário do governo dos Estados Unidos garantiu, sob condição de anonimato, que esse montante seria apenas para conseguir um assento permanente no grupo, pontuando que a entrada no conselho não exige alguma compensação.
Quem comandará o conselho?
De acordo com a minuta da carta constitutiva, cuja cópia também foi obtida pela CNN, Trump atuará como presidente indefinido do conselho, possivelmente ocupando o cargo além de seu segundo mandato como presidente.
Ele só será substituído em caso de “renúncia voluntária ou incapacidade, conforme determinado por voto unânime do Conselho Executivo”.
Um futuro presidente dos EUA poderá nomear ou designar o representante americano para o grupo, além de Trump, destacou um funcionário do governo americano.
Além disso, a Casa Branca nomeou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, o enviado especial de Trump Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner, como integrantes do Conselho Executivo fundador da iniciativa.
Qual será o poder do Conselho de Paz?
Ainda não está claro qual será a autoridade legal ou os instrumentos de execução que o Conselho de Paz terá, ou como o grupo vai trabalhar com as Nações Unidas e outras organizações internacionais.
O estatuto do Conselho afirma o presidente americano Donald Trump terá amplos poderes executivos, incluindo a capacidade de vetar decisões e destituir integrantes, sujeito a algumas restrições.
De acordo com a carta constitutiva, o Conselho da Paz vai desempenhar “funções de consolidação da paz em conformidade com o direito internacional”.
A Casa Branca também anunciou a criação de um Conselho Executivo para Gaza, com o objetivo de apoiar uma administração palestina de transição na Faixa de Gaza. Não está claro como o Conselho Executivo fundador e o Conselho Executivo para Gaza, que compartilham alguns integrantes, funcionarão na prática.
Quais países já aceitaram o convite de Trump?
Um alto funcionário do governo Trump afirmou que cerca de 35 dos aproximadamente 50 países convidados aceitaram integrar o conselho. Ele não deu detalhes de quais nações aceitaram, mas, segundo anúncio de líderes internacionais, essa lista inclui Israel, Arábia Saudita, Egito, Turquia, Hungria, Paraguai e Vietnã.
Na terça-feira (20), Trump confirmou que fez o convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para se juntar ao conselho. Ele disse que espera que o brasileiro tenha um “grande papel” no grupo, pontuando que gosta do petista.
De toda forma, fontes disseram à CNN Brasil que o governo federal resiste ao convite de Trump. De acordo com apuração de Caio Junqueira, a avaliação é a de que, da forma como está concebido, o grupo deixa poder excessivo nas mãos do presidente americano.
Rússia e China também foram convidados a integrar o conselho, mas ainda não responderam ao pedido do líder americano.
