A atriz Gwyneth Paltrow abordou a controversa campanha de “Shakespeare Apaixonado” para o Oscar de 1999, ano em que derrotou a brasileira Fernanda Montenegro na categoria de Melhor Atriz.
Em participação no podcast “The Awardist”, da Entertainment Weekly, Gwyneth descreveu o período da premiação como “complexo e difícil de digerir”.
Segundo informações publicadas pela revista People nesta quinta-feira (1º), a atriz analisou a natureza dos prêmios ao ser questionada sobre o resultado daquela edição.
Em 1999, além de Fernanda Montenegro (por “Central do Brasil”), Gwyneth superou Cate Blanchett (“Elizabeth”), Meryl Streep (“Um Amor Verdadeiro”) e Emily Watson (“Hilary e Jackie”).
“Nunca sabemos por que uma coisa ganha em vez de outra”, afirmou Gwyneth. A atriz destacou que os prêmios, embora reconheçam conquistas individuais, também funcionam como uma ferramenta de monetização para a indústria.
“Acho que você precisa entendê-los também dessa perspectiva e saber que, mesmo que seu filme esteja na disputa, isso por si só já é uma honra.”
Vitória sobre Spielberg e táticas de Weinstein
A 71ª edição do Oscar é lembrada pela surpresa de “Shakespeare Apaixonado” ao vencer na categoria de Melhor Filme, superando o favorito “O Resgate do Soldado Ryan”.
O épico de guerra foi dirigido por Steven Spielberg, padrinho de Gwyneth Paltrow. Na ocasião, Spielberg venceu como Melhor Diretor, enquanto sua afilhada levou a estatueta de atuação (algo que os brasileiros até hoje não conseguem digerir).
A campanha do longa ficou marcada pelas táticas agressivas de Harvey Weinstein, produtor hoje condenado por crimes sexuais.
O estilo de promoção de Weinstein é frequentemente citado por historiadores do cinema como uma “obra-prima de intimidação”, que introduziu estratégias de marketing político no ambiente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Reflexão sobre a arte
Gwyneth Paltrow defendeu que a discussão sobre quem deveria vencer é inerente à natureza do trabalho artístico.
“Acho que sempre há discussões sobre o que as pessoas gostam e não gostam porque a arte é subjetiva. Esse é o objetivo. O objetivo da arte é despertar emoções”, concluiu a atriz, que atualmente tem 53 anos.
No Brasil, a derrota de Fernanda Montenegro ainda é considerada uma das maiores injustiças da história da premiação por críticos e pelo público.
“Central do Brasil”, de Walter Salles, também disputou a categoria de Melhor Filme Estrangeiro naquele ano, mas a história do italiano Roberto Benigni em “A Vida É Bela” levou a melhor.
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1 de 5O produtor Rodrigo Teixeira, de Ainda Estou Aqui, com Christina Kartchner • Monica Schipper/Getty Images
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2 de 5Maria Carlota Bruno, produtora do filme “Ainda Estou Aqui”, veste Lethicia Bronstein no tapete vermelho do Oscar • Divulgação
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3 de 5Fernanda Torres elegeu um vestido preto brilhante para a cerimônia do Oscar • Arturo Holmes/WireImage
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4 de 5Fernanda Torres posou ao lado Walter Salles no tapete vermelho do Oscar • Arturo Holmes/WireImage
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5 de 5Fernanda Torres posa no tapete vermelho do Oscar • Arturo Holmes/WireImage
Gwyneth revelou que vencer o Oscar aos 26 anos foi “esmagador”, contribuindo para seu afastamento de papéis principais por sete anos.
“Sinto que ainda não tinha as ferramentas para metabolizá-lo”, desabafou à Variety, explicando que o esgotamento e o desejo de priorizar a família e sua empresa a levaram a aceitar apenas personagens coadjuvantes desde então.
Em 2023, Gwyneth também gerou repercussão ao revelar em uma entrevista à revista “Vogue” que utiliza sua estatueta do Oscar como peso de porta em sua casa. No vídeo, a atriz exibe o prêmio no chão de seu jardim e brinca que o objeto “funciona perfeitamente” para segurar a porteira.
Por que “Ainda Estou Aqui” fez história mesmo sem vencer Melhor Filme

