Letícia Mamed encerra gestão no Sindicato de Professores cotada para disputar a reitoria da Ufac

*Por Assem Neto*

A professora Letícia Mamed, presidenta da Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre (ADufac), encerrou nesta segunda-feira, 19, seu mandato à frente da entidade, após quatro anos de gestão distribuídos em dois mandatos consecutivos (2022–2024 e 2024–2026). Existe no âmbito da Ufac um movimento para convencer a ex-presidenta da ADufac a disputar a reitoria da Ufac no próximo pleito, agendaddo para ocorrer entre março e maio.

Após deixar a presidência da ADufac, Letícia Mamed passa a integrar a direção regional e nacional do ANDES-SN, função para a qual também foi eleita por meio de processo democrático. O ANDES é considerado o maior sindicato do setor público do país e um dos maiores do mundo, com organização a partir da base, autonomia e independência em relação a governos e partidos, características que conferem singularidade à entidade no cenário sindical.

Em balanço público, a dirigente ressaltou o compromisso de articular a vida acadêmica à prática política, inspirada no pensamento do sociólogo Florestan Fernandes, e destacou o fortalecimento institucional do sindicato em um período marcado por adversidades políticas e sociais.

Ao longo da gestão, segundo a presidenta, a atuação da ADufac esteve orientada pela defesa intransigente da categoria docente e pela afirmação dos princípios classistas que historicamente norteiam o sindicato. Ela sublinhou o orgulho de integrar o ANDES-SN, maior sindicato do setor público do país e um dos maiores do mundo, cuja organização pela base, autonomia e independência conferem singularidade à entidade no cenário sindical brasileiro.

A dirigente também destacou o caráter histórico de sua presidência. Em 46 anos de existência da ADufac, ela foi a segunda mulher a assumir o comando da entidade. O período, lembrou, coincidiu com um contexto político adverso, no qual a educação pública, as universidades federais e o corpo docente figuraram entre os principais alvos de um governo de extrema-direita. Ainda assim, afirmou ter conduzido a gestão com compromisso, humanidade e esperança.

Entre os principais desafios enfrentados, esteve o debate sobre o adoecimento docente, agravado no período de trabalho remoto imposto pela pandemia de Covid-19. Com a retomada da presencialidade, a ADufac intensificou o diálogo com suas filiadas e seus filiados, buscando compreender de forma mais próxima as demandas da categoria, especialmente aquelas relacionadas à sobrecarga e à ampliação das jornadas de trabalho.

Como resultado dessa atuação junto à base, a entidade registrou crescimento no número de sindicalizações, contrariando uma tendência nacional e internacional de retração do movimento sindical. Houve ainda aumento do número de sindicalizados ativos e reequilíbrio na proporção entre docentes da ativa e aposentados, o que, segundo a avaliação da gestão, representa um resultado expressivo para uma seção sindical de pequeno a médio porte no cenário nacional.

Ao encerrar o mandato, a presidenta afirmou deixar à nova diretoria um sindicato fortalecido e preparado para os embates futuros. Manifestou apoio ao grupo que assume a direção da ADufac, liderado pelo professor Gerson Albuquerque, desejando que conte com ampla sustentação para dar continuidade à defesa da universidade pública, gratuita, autônoma, laica, democrática, socialmente referenciada e com financiamento público adequado.]

Em sua despedida, registrou agradecimento especial às funcionárias Narjara dos Santos de Souza Costa, Marlise Maria de Oliveira e Sueli Ferreira de Freitas, e ao funcionário Marcelo Batista da Silva, cuja atuação cotidiana, segundo destacou, é fundamental para o funcionamento da entidade. Estendeu também os agradecimentos às docentes e aos docentes que integraram as duas diretorias de sua gestão, bem como à comunidade universitária, ao movimento estudantil, aos movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos parceiros.

“Tem sido uma honra caminhar ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores das cidades e das florestas da Amazônia acreana”, afirmou, ao avaliar que a experiência construída a partir da escuta, do acolhimento e da solidariedade de classe integra, a partir de agora, a história da ADufac.

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