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Overclean: entenda operação da PF que mira desvio de emendas parlamentares

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Overclean: entenda operação da PF que mira desvio de emendas parlamentares

A PF (Polícia Federal) realiza nesta terça-feira (13) a nona fase da operação Overclean, que investiga uma organização criminosa suspeita de desvio de emendas parlamentarescorrupção e lavagem de dinheiro.

Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. O deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA) é alvo da ação, que tem o apoio da CGU (Controladoria-Geral da União) e da Receita Federal.

Segundo apurou a CNN, a investigação aponta que o parlamentar participou ativamente do esquema criminoso. De acordo com os investigadores, ele utilizava o então secretário parlamentar, Marcelo Chaves — alvo da quarta fase da operação —, como intermediário.

CNN tenta contato com o gabinete do deputado Félix Mendonça Jr. e com o PDT sobre a operação. O espaço está aberto.

Relembre a operação Overclean

Primeira fase

A primeira fase da operação Overclean foi deflagrada há mais de um ano, em 10 de dezembro de 2024. Na ocasião, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 17 de prisão preventiva.

No dia seguinte à operação, o empresário José Marcos Moura, conhecido na capital baiana como “Rei do Lixo”, foi preso. Ele foi apontado como líder da organização criminosa. A Justiça decidiu soltá-lo alguns dias depois, em 19 de dezembro.

Inicialmente, foram apuradas irregularidades em uma contratação do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) da Bahia. De acordo com os investigadores, o grupo movimentou R$ 1,4 bilhão e se dedicava a desviar verbas públicas de contratos de engenharia, inclusive por meio de emendas parlamentares.

O relatório da PF que norteou a operação apontou que a organização criminosa tinha atuação em municípios de, pelo menos, cinco estados: Amapá, Bahia, Goiás, Rio de Janeiro e Tocantins.

À época das denúncias, Marcos Moura negou quaisquer irregularidades.

Segunda fase

Em 23 de dezembro do mesmo ano, a PF deflagrou a segunda fase da operação. Foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva.

Os alvos eram de prisão eram: Carlos André, operador do grupo; Vidigal Galvão Cafezeiro Neto (Republicanos), vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA); Lucas Moreira Marins Dias, secretário de mobilidade e ex-chefe de gabinete de Vitória da Conquista (BA); e Rogério Magno Almeida Medeiros, policial federal.

Terceira fase

Na terceira fase da Overclean, realizada em 3 de abril de 2025, agentes da PF cumpriram 16 mandados de busca e apreensão, em Salvador (BA), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Aracaju (SE).

Um dos alvos foi o secretário municipal de educação de Belo Horizonte, Bruno Barral. O investigado já ocupou o mesmo cargo na capital da Bahia, origem da investigação. O STF determinou o afastamento dele da função.

O “Rei do Lixo” também foi alvo de buscas na ocasião. A PF também cumpriu buscas contra familiares do empresário Alex Parente, apontado como sócio do “Rei do Lixo”. Ele também já havia sido alvo da Polícia Federal anteriormente.

Quarta fase

Em 27 de junho, foi deflagrada uma nova fase da operação, com a expedição de 16 mandados de busca e apreensão e três ordens de afastamento cautelar de servidores públicos de suas funções, em diversas cidades da Bahia.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Salvador, Camaçari, Boquira, Ibipitanga e Paratinga, com apoio de agentes da Receita Federal.

Quinta fase

Alguns dias depois, em 17 de julho, a Polícia Federal foi às ruas para quinta fase da operação. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e uma ordem de afastamento cautelar de servidor público de suas funções, em cidades da Bahia e no Distrito Federal.

Familiares do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) foram alvos de busca e apreensão.

Entre eles, estão Elmo Nascimento, irmão do deputado, e Francisco Nascimento, ex-vereador de Campo Formoso e primo de Elmar. Nas buscas contra Francisco, a PF encontrou R$ 10 mil escondidos em dois sapatos.

Na ocasião, o empresário Alex Parente foi alvo de bloqueio de bens. Ele havia sido preso, e posteriormente solto, na primeira fase da Overclean. O “Rei do Lixo” também foi alvo de bloqueio de bens.

Sexta fase

No dia 14 de outubro, a PF deflagrou a sexta fase da operação, com o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão, aplicação de uma medida cautelar e o sequestro de valores obtidos de forma criminosa. Os alvos eram de Salvador (BA), Amargosa (BA) e Brasília (DF).

Sétima fase

Dois dias depois, em 16 de outubro, os investigadores deflagraram a sétima fase da operação.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, uma medida cautelar de afastamento de agente público do cargo e o sequestro de valores obtidos de forma ilícita.

Oitava fase

Na oitava fase da operação, em 31 de dezembro, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e o sequestro de valores obtidos de forma ilícita, em Brasília (DF), São Paulo (SP), Palmas (TO) e Gurupi (TO).

Nessa fase, foram alvos o secretário nacional do Podemos, Luiz França, e ex-secretários de Educação e Planejamento do Tocantins.

Na época, a defesa de Luiz França disse que seu cliente sempre teve conduta “ética” e “decoro profissional”, sendo reconhecido pelos seus colegas de profissão como um homem íntegro e trabalhador.

“França se mantém à disposição das autoridades para todo esclarecimento que se fizer necessário, na certeza de que, ao final do procedimento investigatório, restará comprovada a ausência de qualquer irregularidade”, acrescenta a defesa.

Nona fase

A nona fase foi deflagrada nesta terça-feira (13), com a expedição de nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. O deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA) é alvo da ação.

(Com informações de Elijonas Maia, da CNN Brasil)

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