A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou integrantes da cúpula da facção CV (Comando Vermelho) por envolvimento em uma sequência de roubos de veículos registrada entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025, em diferentes regiões do estado. Segundo os dados oficiais, cerca de 800 ocorrências foram contabilizadas no período. As apurações fazem parte da chamada Operação Torniquete, conduzida pela DRFA (Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital).
De acordo com a corporação, a análise de registros, cruzamento de informações e relatórios de inteligência indicaram que as ações foram coordenadas a partir de áreas sob influência da facção, como os complexos da Penha, Chapadão e Salgueiro. A investigação aponta que as ordens para a prática dos crimes partiram de lideranças locais, com participação de grupos atuantes em comunidades específicas.
As apurações também indicaram que parte dos veículos roubados foram abandonados e recuperada pouco tempo depois, em regiões próximas aos locais de origem dos crimes. Para os investigadores, esse padrão foi considerado relevante para a identificação da dinâmica das ações e para a atribuição de responsabilidades.
A Polícia Civil informou que a motivação apontada nas investigações está relacionada a reações da facção a operações policiais realizadas anteriormente e a medidas que afetaram estruturas financeiras do grupo. Segundo a corporação, os dados reunidos permitiram individualizar condutas e apontar os responsáveis pelo planejamento e pela execução das ordens.
Foram indiciados oito homens apontados como lideranças em diferentes localidades:
- Edgard Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, no Complexo da Penha;
- Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, no mesmo complexo;
- Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o “Nando Bacalhau”, no Complexo do Chapadão;
- Alexsandro Miranda da Silva, o “Dando”, também no Chapadão;
- Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo;
- Hilário Gabriel dos Santos Rangel, o “Biel do Feijão”, na Comunidade do Feijão, em São Gonçalo;
- Jonatha Hyrval Cassiano da Silva, o “Bochecha Rosa”, na Comunidade Corte 8, em Duque de Caxias;
- Joab da Conceição Silva, o “Joab”, na Comunidade Rua Sete, também em Duque de Caxias.
Essa fase da Operação Torniquete tem como foco crimes de roubo, furto e receptação de veículos e cargas, considerados, segundo as investigações, fontes de financiamento para atividades de grupos criminosos e para a manutenção de estruturas de apoio.
Desde setembro de 2024, a Polícia Civil contabiliza mais de 740 prisões relacionadas à operação, além da recuperação de veículos e cargas avaliados em cerca de R$ 45 milhões e bloqueio de valores que, segundo a secretaria, ultrapassam R$ 70 milhões. As investigações seguem em andamento, com novos desdobramentos previstos.
