De acordo com um analista de Frankfurt, os mercados de ações provavelmente reagirão positivamente após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, devido às expectativas de aumento da produção de petróleo no país.
“É verdade que vai demorar um pouco até que a produção real de petróleo na Venezuela volte a aumentar. Sabemos que os mercados frequentemente negociam expectativas e previsões. E, neste cenário, a expectativa é de que a produção de petróleo da Venezuela aumente nos próximos meses e anos”, disse Carsten Brzeski, economista-chefe do ING, à Reuters.
Os investidores globais também enfrentarão um novo aumento no risco geopolítico após a medida dos EUA, que poderá liberar as vastas reservas de petróleo do país e impulsionar ativos de risco no longo prazo, mas provocar uma busca por segurança quando as negociações forem retomadas.
O presidente Donald Trump afirmou que os EUA assumiriam o controle do país produtor de petróleo, enquanto Maduro, a quem os EUA acusam repetidamente de comandar um “narcoestado” e de fraudar eleições, estava em um centro de detenção em Nova York no domingo (4), aguardando a formalização das acusações.
Washington não realizava uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989.
“O que o ataque dos EUA à Venezuela significa, na minha opinião, é claramente que os EUA demonstraram seu poder militar, ou, como eles mesmos disseram, sua força militar. É um sinal claro de que os EUA querem ter mais influência no Hemisfério Ocidental e, para a Europa, isso deveria ser mais um alerta para que ela finalmente se organize”, disse Brzeski.
Os mercados estavam fechados quando os ataques ocorreram, mas haviam começado o primeiro dia de negociações do ano com o pé direito, com os índices de Wall Street fechando em alta e o dólar se valorizando em relação a uma cesta de moedas principais na sexta-feira (2).
As ações americanas e globais encerraram 2025 perto de suas máximas históricas, tendo registrado ganhos de dois dígitos em um ano tumultuado, dominado por guerras tarifárias, políticas de bancos centrais e tensões geopolíticas latentes.
Apenas algumas horas após capturar o líder venezuelano, Trump afirmou que as companhias petrolíferas americanas estavam preparadas para investir bilhões na restauração da produção de petróleo bruto da Venezuela, algo que poderia impulsionar o crescimento global, já que o aumento da oferta reduziria os preços da energia.
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