A duração do conflito entre Rússia e Ucrânia dependerá significativamente das negociações que serão mediadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, segundo análise do doutor em Estudos Estratégicos Internacionais, Ricardo Salvador De Toma, durante participação no WW desta quinta-feira (2).
Segundo o especialista, é fundamental entender o que Vladimir Putin considera como uma vitória no conflito.
“A questão é entender o que Putin considera como uma vitória. Ou seria o objetivo estratégico, ou seria a posição da Europa diante dessa forte resistência russa”, explicou De Toma.
O especialista destacou que a Rússia demonstrou capacidade de resistir às pressões econômicas e geopolíticas impostas pelo Ocidente, mantendo sua determinação em defender seu espaço de influência e preservar o controle sobre os territórios ocupados na Ucrânia.
“Agora, a questão de tempo depende muito de como seja medida essa negociação, que obviamente está levando o Trump e que certamente representa para ele um grande desafio”, afirmou.
Fatores externos
Um elemento crucial para o desfecho do conflito, segundo De Toma, serão as eleições de meio de mandato nos EUA, previstas para 2026. O especialista lembrou que grande parte do eleitorado americano é favorável a políticas que não comprometam financeiramente o país em conflitos externos.
“A base eleitoral estadunidense basicamente estava a favor de uma política onde os estadunidenses não tivessem que arcar financeiramente com conflitos externos, conflitos que levassem a soldados estadunidenses, a capitais estadunidenses, a outras fronteiras”, observou o especialista.
De Toma também mencionou a possibilidade de uma convergência de interesses entre Trump e Putin em torno da necessidade de restabelecer a paz, o que poderia influenciar os rumos das negociações para encerrar o conflito que já se estende por mais de dois anos.

