A crise na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos revela uma operação militar bem-sucedida, mas sem um plano político claro para o dia seguinte, segundo análise do professor de Ciência Política Carlos Gustavo Poggio, do Berea College, durante o WW Especial deste domingo (4).
Poggio destacou que, diferentemente do que tem sido noticiado, o que ocorreu na Venezuela não foi uma mudança de regime.
“Ao contrário do que tem se circulado, o que a gente viu não foi uma operação de mudança de regime. Isso não é como a gente viu acontecer no caso do Iraque, onde você não retira apenas o ditador, você desmantela de fato todo o regime”, explicou.
O especialista observou que a estrutura do chavismo permanece intacta na Venezuela, mesmo após a captura de Maduro.
“O que temos agora na Venezuela é a estrutura do chavismo completamente intacta. Quando Délcio Rodrigues aparece e dá um discurso, a questão mais importante é que ela mostra quem está sentado ali ao lado dela. E está toda a estrutura completa do chavismo absolutamente intacta”, afirmou.
Visão empresarial de Trump sobre a Venezuela
Segundo Poggio, a abordagem de Donald Trump sobre a situação venezuelana revela mais uma mentalidade empresarial do que a de um estadista tradicional.
“A mentalidade de Donald Trump não é de um estadista tradicional. Ele tem a visão de um homem de negócios, especificamente no setor imobiliário”, analisou.
O professor destacou que Trump não se preocupa com os detalhes burocráticos de como administrar o país após a intervenção.
“Donald Trump não pensa nos detalhes da burocracia, como ele vai administrar o país, a infraestrutura do país. Ele não quer, ele não se interessa por esses detalhes”, pontuou Poggio.
Na visão do especialista, a operação militar foi muitíssimo bem-sucedida, conseguindo capturar o líder de um país importante da América do Sul em apenas três horas. No entanto, há dúvidas sobre o que vem depois, pois a administração Trump parece não ter o estômago para fazer uma administração total do país ou uma ocupação.
“O que está claro também é que não tem um plano político muito bem delineado para o dia seguinte”, concluiu Poggio, alertando que será necessário observar as disputas internas nas estruturas do chavismo e como se desenvolverá a relação entre os Estados Unidos e a nova liderança venezuelana.

