Protestos atuais no Irã são diferentes dos outros desde 1979, diz diplomata

Os protestos que ocorrem atualmente no Irã apresentam características substancialmente diferentes das manifestações anteriores registradas desde a revolução islâmica de 1979, segundo análise de Sergio Florencio, diplomata e ex-secretário em Teerã, durante o WW.

O especialista destacou três fatores principais que tornam o contexto atual inédito. O primeiro é a significativa fragilização do Irã após a guerra entre Hamas e Israel, que resultou na perda de importantes aliados regionais.

“O Hamas praticamente não existe mais em termos de força militar, o Hezbollah está extremamente fragilizado e as milícias iranianas na Síria desapareceram com toda a mudança de regime”, explicou.

O segundo fator mencionado foi o impacto dos ataques realizados pelos EUA e Israel contra o Irã, especialmente direcionados às usinas nucleares iranianas, que acentuaram a vulnerabilidade do país. Por fim, Florencio citou a recente situação envolvendo a Venezuela como um elemento adicional que pode influenciar o apoio ao movimento de sublevação no Irã.

Sobre a declaração do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, que sugeriu que o regime iraniano, apoiado apenas na repressão, estaria em seus últimos dias, o diplomata explica que, embora considere a avaliação “excessivamente contundente” neste momento, ele reconhece que há “fortes indícios” de que o atual movimento de insurgência social difere dos anteriores.

Histórico de fracassos em protestos anteriores

Florêncio relembra que protestos são recorrentes na sociedade iraniana desde a revolução de 1979, mas seguem um padrão: invariavelmente fracassam.

O ex-secretário citou movimentos significativos como o de estudantes em 1999, o protesto contra a fraude eleitoral em 2009 e o amplo movimento de mulheres em 2022, que, apesar da repercussão, não conseguiram promover mudanças duradouras no regime.

Segundo o diplomata, mesmo tendo eleito três primeiros-ministros de corte liberal ao longo desse período, os movimentos de oposição sempre encontraram barreiras intransponíveis. “Eles têm um êxito inicial, têm um apoio, têm um forte apoio eleitoral, mas fracassam no final”, analisou.

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