O governo da Venezuela anunciou a libertação de “um número significativo” de presos políticos, tanto venezuelanos quanto estrangeiros, cinco dias após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos Estados Unidos.
O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que disse que a medida tem como objetivo “contribuir para o esforço” de “unidade nacional” no país.
Entretanto, ele não especificou quantos presos seriam libertados, nem quem exatamente.
“O governo bolivariano decidiu libertar um número significativo de cidadãos venezuelanos e estrangeiros, e esses processos de libertação estão em andamento”, afirmou Rodríguez.
A ONG Foro Penal informou que havia 806 presos políticos em cadeias venezuelanas em 5 de janeiro de 2026; entre eles, estrangeiros ou pessoas com dupla cidadania.
Após a operação militar que capturou Maduro, autoridades dos EUA solicitaram, entre outras coisas, a libertação de presos políticos, segundo uma fonte próxima a um relatório apresentado esta semana a parlamentares pelo governo Trump.
As primeiras libertações confirmadas de prisões venezuelanas são de cinco cidadãos espanhóis, dos quais pelo menos três estavam detidos após a crise pós-eleitoral de 2014.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, confirmou que os cinco já estavam retornando ao país europeu.
A seguir, veja um breve perfil dos presos políticos cuja libertação na Venezuela foi confirmada.
Rocío San Miguel
Rocío del Carmen San Miguel Sosa, de 58 anos, é advogada venezuelana-espanhola especializada em Direito Internacional e Política, e possui mestrado pelo IAEDEN.
Ela é uma renomada analista em questões de segurança, defesa e direitos humanos na Venezuela.
Até sua prisão, ela atuava como presidente da associação civil Control Ciudadano, dedicada ao monitoramento das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas.
Ocupou cargos em diversas agências estatais e lecionou em instituições militares. Em 2018, seu caso perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos estabeleceu um precedente sobre direitos humanos e participação política.
Sosa havia sido presa em fevereiro de 2024, acusada de suposta conspiração — acusação rejeitada por sua defesa — e agora foi libertada após cumprir pena na prisão de El Helicoide. Autoridades americanas haviam expressado preocupação com o caso dela.
Andrés Martínez e José María Basoa
Andrés Martínez e José María Basoa, ambos nascidos no País Basco, no norte da Espanha, foram presos em setembro de 2024 em Puerto Ayacucho, no estado do Amazonas, segundo a organização Foro Penal.
Martínez e Basoa foram acusados pelo governo venezuelano de envolvimento em uma suposta operação que, segundo o Ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, visava realizar atos “terroristas”.
Isso incluiria o envio de “um grupo de mercenários” à Venezuela para assassinar Nicolás Maduro e ligações com o Centro Nacional de Inteligência, alegações negadas pelo governo espanhol, de acordo com o Foro Penal.
Os dois jovens espanhóis, de 32 e 35 anos na época da prisão, estavam viajando de férias pela América do Sul desde o final de agosto de 2024 e foram vistos pela última vez em 2 de setembro em Inírida, Colômbia, a caminho de Puerto Ayacucho, Venezuela, antes de serem detidos pelas autoridades venezuelanas, ainda segundo o Foro Penal. Suas famílias comunicaram o desaparecimento.
A prisão ocorreu em meio à escalada das tensões entre Venezuela e Espanha, após a chegada a Madri do líder da oposição, Edmundo González Urrutia, depois que foi denunciada fraude eleitoral no país sul-americano e ele reivindicou vitória nas eleições.
Miguel Moreno Dapena
Miguel Moreno Dapena, de 34 anos, é um jornalista das Ilhas Canárias que foi preso em junho de 2025, quando a Marinha venezuelana interceptou o navio de exploração marítima N35, no qual viajava e trabalhava, buscando destroços de navios da Segunda Guerra Mundial.
As autoridades venezuelanas alegaram que o navio apresentava comportamento “altamente suspeito” na zona econômica exclusiva do país, o que levou à sua prisão e subsequente detenção na Venezuela.
Segundo a Corte Interamericana de Direitos Humanos, a mãe de Moreno Dapena afirmou que, durante uma breve comunicação em julho de 2025, o filho lhe contou que havia sido acusado de “terrorismo” e “invasão de zonas de segurança venezuelanas”.
Moreno, que passou mais de 200 dias detido no país sul-americano, trabalhou para veículos de comunicação como La Provincia, Expansión e Sport antes de encerrar sua carreira como jornalista.
Moreno, que passou mais de 200 dias detido no país sul-americano, trabalhou para veículos como La Provincia, Expansión e Sport antes de encerrar sua carreira como jornalista.
Ernesto Gorbe Cardona
Ernesto Gorbe Cardona é um homem de 52 anos de Valência e também foi libertado. A CNN está tentando obter mais informações sobre seu caso.
Equipe infiltrada, réplica de casa: Detalhes da ação dos EUA contra Maduro
