Veja 5 pontos necessários para que grandes petrolíferas voltem à Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as companhias petrolíferas americanas voltarão à Venezuela, investirão as dezenas de bilhões de dólares necessários para restaurar a infraestrutura energética do país e colherão os frutos – potencialmente enormes.

“Vamos ficar com o petróleo”, disse Trump a Joe Scarborough, da MS NOW, na terça-feira (6).

Mas, para que Trump alcance esse objetivo, a Venezuela e os EUA precisam reduzir drasticamente o risco substancial para as companhias petrolíferas americanas em um mercado de passado conturbado, um presente tumultuado e um futuro incerto.

Estado de direito

Os militares venezuelanos têm desempenhado um papel ativo na estatal Petróleos de Venezuela, SA, mais conhecida como PDVSA. A infraestrutura energética do país tem sido alvo de roubos desenfreados.

Se as empresas petrolíferas americanas pretendem retornar, precisam ter a garantia de que estarão seguras.

“Como primeiro passo, as empresas petrolíferas americanas precisariam de algum tipo de garantia de segurança, e ter a certeza de que as equipes e equipamentos estariam seguros no local”, declarou Tai Liu, analista de petróleo upstream da BloombergNEF.

Essa responsabilidade poderia recair inicialmente sobre as Forças Armadas dos EUA, que talvez precisassem garantir a segurança da infraestrutura. A longo prazo, a Venezuela precisaria garantir a segurança.

“É difícil produzir petróleo quando os oleodutos explodem”, afirmou Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners. “As empresas petrolíferas não vão ser coagidas a investir dinheiro em um país de risco ou com condições desfavoráveis”.

Estabilidade política

Para restaurar completamente a infraestrutura da Venezuela e retornar a produção aos níveis pré-socialistas, a indústria petrolífera precisaria construir oleodutos, instalar plataformas de perfuração, construir infraestrutura portuária e instalar energia elétrica confiável, entre outros projetos. Isso custaria mais de US$ 10 bilhões por ano e levaria mais de uma década para se pagar, de acordo com o consenso de especialistas do setor.

Os Estados Unidos poderiam estar em seu 49º presidente até lá, e a Venezuela precisaria reformular o governo como uma democracia e resistir a possíveis levantes.

As empresas petrolíferas vão querer garantir que os novos governos da Venezuela e dos EUA não alterem as regras que as afetam daqui a alguns anos.

“A palavra desta administração está longe de ser suficiente. É necessário um consenso político muito forte, e estamos muito longe disso”, destacou Ryan Kellogg, vice-reitor da Escola de Políticas Públicas Harris da Universidade de Chicago.

Revogação de sanções e leis petrolíferas

Os Estados Unidos estão tentando manter um embargo de petróleo à Venezuela e impuseram sanções à indústria petrolífera do país. Enquanto isso, a Venezuela possui leis rigorosas que regem as empresas petrolíferas estrangeiras, exigindo que as empresas participem de joint ventures público-privadas que pagam royalties de 30% e um imposto de renda de 60%.

Todos esses fatores precisariam desaparecer para que as empresas petrolíferas considerassem investir na Venezuela.

“A Venezuela tem um regime fiscal muito desfavorável – por que alguém iria para um lugar assim?”, questionou Luisa Palacios, diretora-gerente do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia.

Outros países podem se dar ao luxo de oferecer condições mais rígidas, porque sabem que ainda assim atrairão negócios. Mas o mercado de petróleo é muito diferente de quando as empresas estrangeiras buscaram investir na Venezuela pela última vez – os Estados Unidos são o maior produtor mundial de petróleo, e a Guiana e a Argentina se tornaram figuras importantes.

“A Venezuela terá que oferecer contratos mais atraentes para conseguir as melhores empresas com a tecnologia mais avançada”, afirmou Homayoun Falakshahi, analista-chefe de pesquisa de petróleo bruto na Kpler.

Pagamento de dívidas

Muitas empresas estrangeiras de energia, incluindo Eni, Repsol, ConocoPhillips e ExxonMobil, tiveram os ativos confiscados pela Venezuela em 2007 e foram expulsas do país. Elas estão buscando coletivamente dezenas de bilhões de dólares em indenização da PDVSA.

“A Exxon vai se lembrar do que aconteceu lá”, destacou Kellogg. “Pelo menos parte desse valor precisaria ser reembolsado – mas não há dinheiro para pagar a dívida”, concluiu.

A Venezuela precisaria recuperar o acesso aos mercados de capitais globais. Com uma mudança de governo, o país provavelmente conseguiria atrair algum investimento – mas provavelmente não o suficiente para aumentar a produção de petróleo, ressaltou Palacios.

Garantias financeiras

Com investimentos moderados e cooperação com o governo dos EUA, a Venezuela provavelmente conseguiria restaurar a capacidade operacional dos campos de petróleo existentes, como há cerca de uma década, antes que as sanções americanas entraram em vigor, segundo Palacios. Qualquer coisa além disso exigiria muito dinheiro – e tempo.

É por isso que garantias financeiras, financiamento a baixo custo, reembolsos ou outros incentivos podem ser cruciais para atrair empresas petrolíferas para a Venezuela. Trump insinuou alguma forma de reembolso financiado pelos contribuintes ou recuperação de petróleo e infraestrutura.

“Termos fiscais, garantias e mecanismos de salvaguarda serão muito importantes”, frisou Pickering. “Garantias do governo americano poderiam acelerar o processo, mas não está claro se elas serão oferecidas”, comentou.

Mas especialistas do setor concordaram: sob as condições certas, a Venezuela atrairá um interesse significativo e de longo prazo das empresas petrolíferas. Há uma quantidade enorme de petróleo lá. Foi isso que tornou o Iraque um mercado grande demais para as empresas estrangeiras ignorarem há duas décadas, apesar de um ambiente político instável.

“É muito difícil para uma empresa operar neste país – nem mesmo os chineses conseguem”, argumentou Palacios. “Mas não acho que seja demais acreditar que a produção de petróleo aumentará na Venezuela se houver uma cooperação de trabalho com o governo americano”.

Entenda por que os EUA estão interessados ​​no petróleo da Venezuela

Marlon Freitas revela razão para fechar com Palmeiras em apresentação

Marlon Freitas foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira (8/1) na Academia de Futebol do Palmeiras Fonte: Metrópoles

Vasco confirma acerto com primeiro reforço para 2026; confira

O Vasco da Gama informou que nesta quinta-feira (8/1) chegou a um acordo com o meia-atacante Johan Rojas Fonte: Metrópoles

Mourinho detona atuação do Benfica após eliminação: “Inaceitável”

Treinador criticou erros individuais, diz que time mereceu perder para o Braga e admite conversa dura no vestiário após a eliminação Fonte: Metrópoles