À medida que os protestos no Irã entram na terceira semana consecutiva, as autoridades intensificam a repressão violenta contra os manifestantes. Um morador de Teerã, capital do país, descreveu a violência nos protestos como “terrível” e “muito pior do que se pode imaginar”.
O homem de 55 anos disse à CNN que os locais de trabalho fecharam no meio da tarde desta segunda-feira (12), em antecipação a mais manifestações. Ainda há um grande bloqueio de comunicações em todo o país.
Alguns locais de trabalho recuperaram o acesso à internet esporadicamente ao longo do dia, relatou o homem, que pediu para não ser identificado por questões de segurança.
Veículos de comunicação estatais também começaram a publicar em sites como X e Telegram, após terem sido afetados pelo apagão.
No entanto, às 17h, horário local do Irã (10h30, no horário de Brasília), alguns sites de mídia ligados ao Estado ainda estavam inacessíveis.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.
Entenda a onda de protestos no Irã e o impacto para o regime
