Ameaçados de improbidade, Estado, MP, TJ e Aleac têm 60 dias para revisar o “Império dos Penduricalhos”

As recentes decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomadas no início de fevereiro de 2026, representam um cerco direto aos chamados “penduricalhos” (verbas indenizatórias que inflam salários) e afetam as autoridades do Acre de forma tão intensa quanto no restante do país.

A decisão liminar proferida na Reclamação (RCL) 88.319 tem eficácia nacional e atinge magistrados, promotores, defensores e outros membros dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) no estado.

1. O que muda para as autoridades do Acre?

A decisão estabelece regras rígidas para o que pode ser pago acima do teto constitucional (atualmente em R$ 46.366,19). Os principais pontos de impacto são:

  • Prazo de 60 dias para revisão: O Governo do Acre, a Assembleia Legislativa (ALEAC), o Tribunal de Justiça (TJAC) e o Ministério Público (MPAC) têm até abril de 2026 para revisar todas as verbas pagas.

  • Suspensão imediata de verbas sem lei: Qualquer benefício que não esteja expressamente previsto em uma lei nacional, estadual ou municipal (e não apenas em resoluções internas dos tribunais ou órgãos) deve ser cortado após o prazo.

  • Fim da “venda” de folgas: Dino criticou a conversão automática de licenças e folgas em dinheiro (licença compensatória), prática comum em carreiras jurídicas para elevar os ganhos.


2. Principais “Penduricalhos” na Mira

Dino listou benefícios específicos que agora estão sob lupa e que são comuns em órgãos de elite do serviço público estadual:

Tipo de Verba Descrição do Impacto
Licença Compensatória Venda de folgas por acúmulo de processos ou plantões (o “1 dia de folga para cada 3 trabalhados”).
Auxílios s/ Comprovação Auxílio-locomoção, combustível ou saúde pagos de forma fixa, sem que o servidor prove o gasto real.
Gratificações de Acúmulo Adicionais por exercer mais de uma função ou gerenciar muitos processos simultaneamente.
Nomes “Anedóticos” O ministro citou ironicamente o “auxílio-peru” e “auxílio-panetone” como exemplos de abusos que devem acabar.

3. Consequências Práticas no Estado

  • Transparência Obrigatória: Após os 60 dias, os chefes de cada Poder no Acre deverão publicar um ato motivado listando cada verba paga, seu valor, critério de cálculo e, principalmente, o fundamento legal.

  • Pente-fino dos Conselhos: No caso do Judiciário (TJAC) e Ministério Público (MPAC), os respectivos conselhos nacionais (CNJ e CNMP) fiscalizarão o cumprimento, com poder para anular pagamentos irregulares imediatamente.

  • Risco de Improbidade: Gestores que mantiverem pagamentos de penduricalhos sem base legal após o prazo fixado podem responder por descumprimento de decisão judicial e improbidade administrativa.

Importante: A decisão é uma liminar. O plenário do STF deve julgar o referendo dessa medida no dia 25 de fevereiro de 2026. Se mantida, consolidará o fim do que Dino chamou de “Império dos Penduricalhos”.

Os penduricalhos criticados por Flávio Dino que elevaram a até R$ 244 mil os supersalários no Tribunal de Justiça do Acre

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