O dólar atingiu o menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024, cotado a R$ 5,12 após uma queda de 0,60%. Para o colunista do CNN Money, Gilvan Bueno, este cenário, aparentemente positivo, exige cautela.
Durante participação no CNN Novo Dia desta quarte-feira (26), Bueno explicou que, embora o dólar mais baixo seja favorável à economia brasileira, é necessário avaliar o contexto estrutural do país. “Existe a conjuntura e existe o estrutural. Esses números parecem ser muito produtivos, mas eles não são estruturais”, alertou o especialista.
Segundo Bueno, a queda do dólar está relacionada principalmente ao enfraquecimento da moeda norte-americana no cenário internacional, uma consequência da política adotada nos Estados Unidos. “Donald Trump tem feito uma política de cada vez mais tirar o peso do dólar, olhando muito para commodities. A moeda está caindo porque os Estados Unidos estão fazendo um movimento diferente”, explicou.
O colunista destacou que o excepcionalismo americano vem perdendo força nas últimas décadas: “Na década de 1960, a participação dos Estados Unidos no PIB mundial era mais de 40%. Hoje a participação é de 20%”. Bueno acrescentou que este foco nos commodities é uma estratégia deliberada para aumentar as exportações norte-americanas e melhorar a balança comercial do país.
Projeções e riscos para o segundo semestre
Algumas gestoras financeiras projetam que o dólar possa chegar a R$ 4,40, mas Bueno adverte que a estrutura econômica brasileira apresenta fragilidades. “Nossa dívida pública está muito alta. As empresas saíram agora com resultados mostrando que o endividamento está muito alto. Muitas empresas com pouca capacidade e alto endividamento das famílias”, pontuou.
O especialista também alertou para possíveis turbulências no segundo semestre de 2026. “No primeiro semestre é muito bom. No segundo semestre tem números de política, tem Donald Trump podendo perder as casas que ele possui, tanto o Congresso como o Senado”, observou, indicando que a volatilidade pode aumentar significativamente nos próximos meses.
Apesar do cenário favorável para investimentos no Brasil, com o país recebendo cerca de US$ 6 bilhões apenas em janeiro, Bueno recomenda cautela aos investidores. “O dólar mais baixo é bom, mas a verdade é que a nossa estrutura não está sendo bem feita. O investidor tem que ter cuidado”, concluiu.

