Arranha-céus de 40 andares e fim das enchentes: Bocalom, seus delírios e o caos de Rio Branco maquiado por promessas futuristas

A análise da trajetória política de Sebastião Bocalom em Rio Branco revela um padrão persistente: a substituição do planejamento técnico por uma retórica de “soluções mágicas”. O termo estelionato eleitoral (ou calote) é frequentemente usado por críticos para descrever o abismo entre o que ele prometeu no palanque e o que foi entregue na prática.

Um apanhado resumido das mirabolantes promessas de Bocalom, a propósito de ludibriar o eleitor, é relatado logo a seguir, quando faltam 48 dias para que o gestor municipal renuncie ao cargo. Ele segue com a idéia de disputar aas eleições para governador do Acre.

1. Infraestrutura e Urbanismo: O Delírio da Verticalização

As promessas de Bocalom na área de infraestrutura costumam ignorar a viabilidade econômica e as limitações do solo amazônico.

  • Prédios de 40 a 70 andares: A ideia de transformar o Estádio José de Melo em um hub de arranha-céus ou incentivar prédios de 70 andares em Rio Branco (para habitações populares e comércios) ignora que a cidade mal possui infraestrutura de saneamento e drenagem para suportar tal densidade, além de não haver demanda de mercado que sustente esses empreendimentos.

  • BR-364 em Concreto: Embora o pavimento rígido seja tecnicamente superior, o custo é proibitivo para a realidade orçamentária local. A promessa soa mais como um “slogan de robustez” do que um plano de engenharia real. Puro engodo o que prometeu ele, em flagrante campanha fora de época, caso seja eleito governador.

  • Terminais e Transporte: A promessa de abrir a “caixa preta” do transporte e garantir 100% de frota com ar-condicionado esbarrou na crise do setor. O que se viu foram subsídios milionários às empresas para manter um sistema que continua gerando reclamações. ônibus quebrados, engrenagem para cadeirantes travadas e descontrole nos horários dos veículos para cumprir suas rotas entopem as manchetes de jornais todos os dias, sem que a fiscalização apresente relatórios que são obrigatórios.

2. Saneamento e Enchentes: Soluções Individuais vs. Coletivas

  • Poços artesianos em cada domicílio: Esta é, talvez, a proposta mais criticada tecnicamente. Em vez de fortalecer o sistema público de tratamento (SAERB), a ideia promove a “individualização” do problema. Especialistas alertam para o risco de contaminação do lençol freático e o caos sanitário que isso representa. A promessa emergiu nas primeiras horas após a posse, em 2020, quando Bocalom apareceu com especialistas no assunto, fora do estado.

  • Fim das enchentes: Prometer o fim das enchentes em uma cidade cortada por um rio que sofre com o regime de chuvas amazônico e o assoreamento é cientificamente impraticável a curto prazo.

3. O Fracasso do “Produzir para Empregar”

O carro-chefe da primeira gestão, o programa Produzir para Empregar, foi vendido como a redenção econômica de Rio Branco através do agronegócio urbano e mecanização.

  • A realidade: O programa sofreu com a falta de assistência técnica contínua e logística. A “riqueza” prometida não se traduziu em redução significativa do desemprego ou em um cinturão verde autossustentável, tornando-se mais um projeto assistencialista de entrega de insumos do que uma política de estado.

4. Mirabolâncias Sociais e Educativas

  • NASA e Disney: A promessa de levar alunos para a NASA ou Disney é o ápice do populismo educacional. Enquanto as escolas municipais enfrentam problemas básicos de infraestrutura e falta de cuidadores para alunos com deficiência, o foco em “viagens de elite” para poucos mascara a ausência de uma reforma pedagógica estrutural.

  • Abrigos Pré-moldados e Acrílico: O uso de materiais “inovadores” muitas vezes ignora o conforto térmico necessário no calor do Acre, resultando em estruturas caras e pouco funcionais para a população em vulnerabilidade. Usuários do transporte públicos permanecem, não raro, sob sol e chuvas.

5. Saúde e Assistência

  • Filas da Saúde e Restaurantes Populares: A promessa de zerar filas e construir quatro restaurantes populares esbarra na burocracia e na má gestão de recursos. A saúde municipal continua sendo um dos maiores gargalos, com postos sem insumos básicos, contrastando com o marketing de “gestão eficiente”.


Análise Crítica: O Padrão de Comportamento

O fenômeno Bocalom se sustenta na “política do anúncio”. O anúncio gera o fato político e a esperança no eleitorado, mas a execução morre na ausência de projetos executivos reais.

Ao propor poços artesianos em vez de rede de esgoto, ou prédios de 40 andares em vez de regularização fundiária, o gestor opta pelo espetáculo visual e pela solução simplista para problemas complexos. O resultado é um ciclo de frustração onde a capital permanece com problemas estruturais da década de 90, maquiados por promessas futuristas.

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