Bittar e Alan correm a Aécio para tomar o PSDB e barrar Bocalom, e guerra pelo Governo do Acre explode nos bastidores

No enredo acreano que mais parece capítulo perdido de novela mexicana, três personagens centrais se encontram sob os holofotes: os senadores Márcio Bittar e Alan Rick e o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. A reunião em Brasília, confirmada pelo presidente estadual do PSDB, Gledson Pereira, caiu como bomba no ninho tucano do Acre. O diretório local ficou menor do que já é — e, sobretudo, inseguro. Ninguém sabe o que virá “lá de cima”.

O pano de fundo é claro: a disputa pelo controle do PSDB no Acre e o fechamento da porta para uma eventual candidatura ao governo por parte de Tião Bocalom. Com a negativa de legenda no PL, Bocalom foi o primeiro a tomar café com Aécio, a quem buscou abrigo onde já teve casa: o prefeito de Rio Branco, sabemos, militou por décadas no PSDB, pelo qual disputou o governo e foi secretário na gestão Jorge Viana. Mas ele sabia, porém, que a prioridade do PL é a eleição de deputados federais e reeleição de Bittar. O senador depende de um palanque robusto, irrigado por cargos e estrutura que detém no governo Cameli, inclusive com a Funtac “de porteira fechada” – ou sentar à sombra de Alan, líder nas pesquisas até o momento.

Ao perceber a movimentação de Bocalom, Alan Rick e Bittar correram ao gabinete de Aécio para tentar tomar o partido no Acre e selar uma aliança que mantenha o PSDB sob controle de quem já orbita o governo estadual. O recado é direto: impedir que Bocalom transforme o PSDB em trampolim para o governo.

“Não sabemos o que vai ocorrer. O encontro aconteceu, mas estamos aguardando orientações futuras. Devemos reunir a militância assim que chegar algo aqui”, disse Gledson Pereira, nesta segunda0-feira ao Portal oseringal.

O efeito colateral é devastador dentro do partido. A executiva tucana local vive dias de apreensão. Se a aliança Republicanos/PL/PSDB se confirmar, o diretório pode ser simplesmente redesenhado. Se os atuais membros forem mantidos, não haverá chapa competitiva para deputado federal — que é o que realmente importa na matemática eleitoral. Se entrarem Bocalom, Bittar ou Alan no comando, os atuais dirigentes no Acre serão inevitavelmente destituídos sem cerimônia.

É quando nomes como Luiz Gonzaga e Vanda Milani (aliados do governo e contra Alan Rick) devem puxar a debandada geral.

No meio disso, cresce a disputa no mano a mano pelo governo entre Mailza Assis e Alan Rick. Bittar joga para sobreviver politicamente; Alan joga para crescer; Mailza joga para consolidar a sucessão com o respaldo do governador Gladson Cameli. E Bocalom, acuado, não deve assistir calado.

Porque a promessa feita por Alan e Bittar — de montar chapa forte para eleger ao menos dois federais — esbarra na realidade. O Republicanos tem basicamente Roberto Duarte e Antônia Lúcia, esta última de malas prontas para desembarcar (ela já assumiu aliada de Mailza (PP).

O PL, por sua vez, conta como nome de peso o ex-deputado Jesus Sérgio. Mesmo com os milhões do PL e os milhões do Republicanos, não há garantia de chapa competitiva nem para assegurar a própria sobrevivência parlamentar dos senadores — quanto mais para sustentar o PSDB, um partido hoje pobre e estruturalmente frágil no estado.

A guerra surda entre Bocalom e Bittar — ex-aliados que agora se enfrentam nos bastidores — adiciona tensão extra ao roteiro. Bocalom pode revidar. Tem a máquina da prefeitura de Rio Branco e pode lançar a esposa e aliados à Câmara Federal, numa estratégia de enfrentamento direto que pode, se tiver sorte, convencer Aécio Neves a entregar-lhe a legenda.

O prefeito pode acusar os senadores de mentirem sobre viabilidade eleitoral e desmontar, na prática, a narrativa de “chapa forte”.

No fim, o que se desenha não é apenas uma disputa partidária, mas uma batalha por controle, sobrevivência e hegemonia. Se o PSDB for fechado por cima, pode haver debandada geral em sinal de fidelidade a Gladson e Mailza. Se Bocalom for excluído, ele reage. Se Alan avançar demais, compra guerra antecipada.

Como em toda boa novela mexicana, o drama não está no que foi dito na reunião — mas no que foi combinado em silêncio. E no Acre, silêncio costuma preceder tempestade.

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