“A luz foi cortada ainda na sexta-feira e tudo que o meu marido tinha comprado para a gente enfrentar a alagação estragou na geladeira descongelada”, lamentou a diarista Robevânia do Nascimento Flores. O relato é desolador, ironia cruel entre milhares que estão cercados por água, mas não têm uma gota potável para beber ou cozinhar, somada à perda de alimentos em um momento de isolamento – vulnerabilidade extrema que vai muito além do desastre natural; é uma crise humanitária e de gestão.
“Nesse primeiro momento eles estão dando prioridades àquelas pessoas que optam ir para casa de parentes. Os que não têm para onde ir a prefeitura parece está retardando a retirada na esperança de que a água venha baixar”, disse um líder comunitário da região da Baixada do Sol que preferiu não ter o nome citado pela reportagem. Ele apoiou o prefeito Bocalom nas últimas eleições.
No início da noite de domingo só existiam 16 famílias no abrigo montado pela prefeitura no parque de exposições, segundo dados oficiais postados na própria página da prefeitura na internet.
O cenário em Rio Branco, com o rio ultrapassando os 15 metros, exige uma logística que parece estar falhando justamente com quem mais precisa.
O Gargalo da Assistência
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A “Escolha” Seletiva: A denúncia de que a prefeitura prioriza quem tem casa de parentes para ir é grave. Isso deixa a população mais pobre — que muitas vezes não tem essa rede de apoio — em uma espera perigosa enquanto o nível do rio sobe.
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Insegurança Alimentar e Energética: O corte de luz é um protocolo de segurança para evitar eletrocussões, mas, sem um plano de contingência (como a distribuição de kits de alimentação imediata ou gelo), ele condena o estoque de comida das famílias, como aconteceu no bairro Areal.
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Descompasso nos Dados: Há uma diferença gritante entre as 1.826 famílias afetadas e o baixo número de acolhidos no Parque de Exposições, o que sugere barreiras no acesso aos abrigos ou falta de confiança no suporte oferecido.
Canais de Emergência em Rio Branco
Se você está em contato com alguém nessas áreas ou precisa orientar alguém, estes são os números que devem ser acionados imediatamente:
| Órgão | Contato | Função |
| Defesa Civil | 199 | Socorro imediato e retirada de famílias. |
| Corpo de Bombeiros | 193 | Resgates em áreas de risco e isolamento. |
| Prefeitura (Zap da Defesa) | (68) 3212-7414 | Informações e solicitações de transporte. |
A situação na Baixada do Sol e nos becos do Segundo Distrito sempre exige atenção redobrada, pois são áreas onde a água sobe rápido e o escoamento é lento. É fundamental que o Ministério Público e os órgãos de controle acompanhem esse “protocolo de prioridade” citado, para garantir que ninguém seja deixado para trás por falta de espaço em abrigos públicos.
