Uma nova nota de pesquisa indica que o cometa “visitante” 3I/ATLAS apresenta moléculas orgânicas como metanol, cianeto e metano em sua composição. Os cientistas também observaram um aumento drástico no brilho dois meses após o corpo gelado ter passado pelo ponto mais próximo do Sol.
Na Terra, as moléculas orgânicas, como as que foram observadas no 3I/ATLAS, são a base dos processos biológicos, mas também podem ser criadas por processos não biológicos.
Além das moléculas, os pesquisadores também observaram um aumento drástico no brilho dois meses após o corpo gelado ter passado pelo ponto mais próximo do Sol, um fenômeno associado aos cometas, que liberam água, dióxido de carbono e monóxido de carbono no espaço.
“O cometa 3I/ATLAS entrou em erupção no espaço em dezembro de 2025, após sua passagem próxima pelo Sol, o que causou um aumento significativo em seu brilho. Até mesmo o gelo de água estava sublimando rapidamente em gás no espaço interplanetário”, disse Carey Lisse, líder do estudo e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins em Laurel, Maryland.
Como ele explica, os cometas são compostos por cerca de um terço de gelo de água, e de acordo com o que foi observado, o 3I/ATLAS estava liberando uma grande quantidade de material novo e rico em carbono que havia permanecido aprisionado no gelo em grandes profundidades.
Quando o cometa está mais próximo do Sol em sua órbita, ele experimenta o pico de aquecimento, mas isso não significa necessariamente que ocorra o pico de sublimação. Como o calor do Sol leva tempo para atravessar as camadas externas do cometa, o gelo em grandes profundidades pode não começar a sublimar até muito tempo depois de o cometa ter estado mais próximo do Sol. Este parece ser o caso do cometa 3I/ATLAS.

O que é o 3I/ATLAS?
O 3I/ATLAS foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio Atlas (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Survey System), localizado em Río Hurtado, no Chile.
Posteriormente, um estudo baseado em observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelou alguns detalhes incomuns sobre o 3I/ATLAS, como uma coma (a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo do cometa) dominada por dióxido de carbono (CO₂). Esta é uma concentração jamais vista em cometas.
Terceiro objeto espacial localizado fora do Sistema Solar, o cometa foi categorizado como interestelar devido à sua trajetória hiperbólica — o que significa que ele não está preso à gravidade do Sol e não segue uma órbita fechada.
Estudos preliminares levantados pela (IAWN) Rede Internacional de Alerta de Asteroides revelam que o 3I/Atlas indicam se formou em outro Sistema Solar e foi ejetado para o espaço interestelar onde vagou por cerca de milhões de anos até chegar ao nosso sistema.
GALERIA – Veja descobertas astronômicas de 2026
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1 de 13Descobertas de 2026 – (1): Astrônomos do Observatório Europeu do Sul identificaram uma “onda de choque” em torno de uma estrela morta. O fenômeno foi formado a partir de uma colisão entre o gás e a poeira ejetados pela estrela morta RXJ0528+2838, e foi identificado com auxílio do VLT (Very Large Telescope) • ESO/K. Iłkiewicz and S. Scaringi et al. Background: PanSTARRS
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2 de 13Descobertas de 2026 – (2): A lua Europa, de Júpiter, está na lista restrita de lugares do nosso Sistema Solar considerados promissores na busca por vida além da Terra, com um grande oceano subterrâneo que se acredita estar escondido sob uma camada externa de gelo. No entanto, novas pesquisas estão levantando dúvidas. Após modelar as condições de Europa, os pesquisadores concluíram que seu assoalho rochoso provavelmente é mecanicamente forte demais para permitir esse tipo de atividade. • Nasa/JPL-Caltech/SETI Institute
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3 de 13Descobertas de 2026 – (3): O vento solar, em combinação com o campo magnético da Terra, tem transportado partículas da atmosfera do nosso planeta para a superfície da Lua há bilhões de anos, revela pesquisa da Universidade de Rochester • Shubhonkar Paramanick/Universidade de Rochester
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4 de 13Descobertas de 2026 – (4): Astrônomos podem ter descoberto um tipo de objeto até então desconhecido, apelidado de “Cloud-9”, que pode lançar luz sobre a matéria escura. Pesquisa publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters mostra que Cloud-9 é uma nuvem de matéria escura que pode ser um remanescente da formação de galáxias nos primórdios do universo • NASA/ESA/VLA/Gagandeep Anand/Alejandro Benitez-Llambay/Joseph DePasquale
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5 de 13Descobertas de 2026 (5) – Um objeto vindo do espaço chocou-se com a Terra há cerca de seis milhões de anos, espalhando fragmentos pelo Brasil. Somente agora, em 2026, a ciência conseguiu confirmar o evento, que deu origem a pedaços de vidro conhecidos como tectitos. • Álvaro Cóstra/Unicamp
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6 de 13Descobertas de 2026 (6) – Observações realizadas peloTelescópio Espacial James Webb identificaram centenas de pequenos objetos avermelhados em imagens profundas do Universo primitivo. Um estudo liderado por Rusakov et al., publicado na revista Nature em janeiro, apresentou uma nova interpretação para esses objetos. De acordo com os autores, os LRDs correspondem a buracos negros em fase inicial de crescimento • Reprodução NASA, ESA, CSA, STScI, JWST; Dale Kocevski (Colby College)
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7 de 13Descobertas de 2026 (7) – Os astrônomos há muito tempo buscam indícios de que uma estrela companheira oculta se encontra fora de vista perto da supergigante vermelha Betelgeuse. Agora, eles descobriram uma nova evidência: um rastro semelhante ao deixado por um barco, atravessando a atmosfera superior de Betelgeuse, provavelmente formado pela companheira invisível • Elizabeth Wheatley/ESA/NASA
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8 de 13Descobertas de 2026 (8) – Uma equipe internacional de astrônomos revelou a descoberta de uma estrutura inédita de ferro ionizado no interior da Nebulosa do Anel. Os cientistas detectaram a “barra” estreita que emite luz especificamente através de átomos de ferro • Telescópio Espacial James Webb
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9 de 13Descobertas de 2026 (9) – Uma equipe de astrônomos, com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter Array), um rádio-observatório que fica no Chile, conseguiu registrar em alta resolução 24 discos de detrito em torno de estrelas. Os anéis fotografados fazem parte da Cintura de Kuiper, que fica no mesmo Sistema Solar da Terra, depois de Netuno. • Divulgação/ESO
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10 de 13Descobertas de 2026 (10) – Astrônomos registraram um dos exemplos mais impressionantes já vistos no espaço após observarem a presença de um buraco negro “renascido” após 100 milhões de anos em inatividade em uma cena comparada à erupção de um “vulcão cósmico”. Segundo o estudo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o fenômeno foi observado no centro da galáxia J1007+3540 • LOFAR/Pan-STARRS/S. Kumari et al.
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11 de 13Descobertas de 2026 (11) – Conceito artístico do exoplaneta candidato HD 137010 b, apelidado de “Terra fria” por ser um possível planeta rochoso ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância • NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)
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12 de 13Descobertas de 2026 (13) – Uma molécula de 13 átomos contendo enxofre (como pode ser visto nesta ilustração) foi descoberta no espaço interestelar pela primeira vez. Os pesquisadores consideram a descoberta um “elo perdido” na compreensão das origens cósmicas da química da vida. • Divulgação/ MPE/NASA/JPL-Caltech
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13 de 13Descobertas de 2026 (14) – Júpiter é, sem dúvida, o maior planeta do nosso Sistema Solar. No entanto, uma recente descoberta mostrou que ele não é tão grande assim — por uma margem muito pequena — quanto os cientistas pensavam. Segundo as observações de Juno, Júpiter tem um diâmetro equatorial de 142.976 km (88.841 milhas), aproximadamente 8 km (5 milhas) menor • Nasa
Identificado próximo à constelação de Sagitário, ao centro da Via Láctea, o cometa estava a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol, dentro da órbita de Júpiter.
Ainda de acordo com as análises astronômicas, o 3I/ATLAS apresenta movimentação a uma velocidade de 221.000 quilômetros por hora (ou 61 km/s) — que o impede de ser contido pela gravidade solar.
O 3I/ATLAS pode ser o cometa mais antigo já observado até hoje. Segundo um modelo computacional desenvolvido pela equipe que o descobriu, o visitante espacial teria mais de sete bilhões de anos, ou seja, mais velho que o Sistema Solar.
