Corrida pela Semaglutida: Fim de patente promete baratear “canetas emagrecedoras” em até 35% no Brasil

Com o vencimento da proteção intelectual da molécula em março, farmacêutica nacional EMS se prepara para lançar versão genérica e projeta queda expressiva nos preços ao consumidor.

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O mercado brasileiro de medicamentos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade está prestes a passar por uma transformação profunda. A patente da semaglutida, o princípio ativo por trás dos sucessos comerciais Ozempic e Wegovy (ambos da dinamarquesa Novo Nordisk), expira em março de 2026. A queda dessa barreira legal abre caminho para a produção de genéricos, prometendo democratizar o acesso a um tratamento que hoje custa, em média, entre R$ 800 e R$ 1.200 por mês.

O Fator Concorrência

A farmacêutica brasileira EMS, líder no setor de genéricos no país, já se posicionou como a principal interessada em ocupar esse espaço. Segundo projeções da empresa, a entrada de versões genéricas deve forçar uma redução de preços de pelo menos 20%, podendo chegar a 35% em cenários de alta competitividade.

Essa estimativa não é um palpite: ela se baseia no estudo “O Impacto da Concorrência: evidências do fim da extensão automática das patentes pelo STF”, conduzido pelo pesquisador Cristiano Aguiar Oliveira. O levantamento demonstra que, no sistema regulatório brasileiro, a quebra de um monopólio farmacêutico gera um efeito cascata que beneficia diretamente o bolso do paciente.

Fabricação Nacional e Expansão

A estratégia da EMS é ambiciosa. A empresa planeja produzir o princípio ativo em sua planta em Hortolândia, no interior de São Paulo. A nacionalização da produção é um passo crítico para reduzir a dependência de insumos importados e garantir a viabilidade do desconto projetado.

  • Impacto Financeiro: A EMS espera que a semaglutida ajude a dobrar seu faturamento no segmento, que foi de R$ 250 milhões no último ano.

  • Regulação: O pedido de registro já está no radar da Anvisa, que deve analisar a documentação nas próximas semanas. Para chegar às farmácias, o genérico precisa provar bioequivalência e biodisponibilidade em relação ao fármaco original.

Por que isso importa?

Atualmente, o uso da semaglutida para perda de peso — embora eficaz — é limitado por questões econômicas. Uma redução de 35% pode trazer o custo mensal para a faixa dos R$ 500 a R$ 700, tornando o tratamento viável para uma parcela significativamente maior da população brasileira, que enfrenta índices crescentes de obesidade.

Nota importante: Mesmo com a queda da patente e a redução de preço, a comercialização e o uso do medicamento devem permanecer sob estrita prescrição médica, dado o risco de efeitos colaterais e a necessidade de acompanhamento clínico.


O que muda no mercado?

Característica Cenário Atual (Monopólio) Cenário Pós-Patente (Março/2026)
Fabricantes Apenas Novo Nordisk Múltiplas (EMS e outras interessadas)
Preço Médio Alto (R$ 800 – R$ 1.200) Redução estimada de 20% a 35%
Origem da Molécula Importada Possibilidade de fabricação nacional (Ex: Hortolândia)
Acesso Restrito a classes de maior renda Expansão para novos perfis de consumidores
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