De dispensado à final do Super Bowl: quarterback do Seahawks busca redenção

New England Patriots e Seattle Seahawks se enfrentam neste domingo, às 20h30 (de Brasília), no Super Bowl LX. Quarterback titular da equipe de Seattle, Sam Darnold terá não apenas a chance de conquistar o título mais prestigioso do futebol americano, mas também de buscar sua redenção na NFL.

O jogador é visto como um símbolo de perseverança na liga. Hoje protagonista de uma campanha que levou o Seahawks à grande final, Darnold já foi rotulado como uma “decepção de draft” após uma sequência de temporadas abaixo da média no início da carreira. À época em que defendia o New York Jets, chegou a virar “meme” entre torcedores.

Apesar das frustrações, Darnold conseguiu reescrever sua trajetória em Seattle, passando de alvo de críticas ao quarterback que pode dar o segundo título da história ao Seahawks. Neste domingo, terá a oportunidade de consolidar sua volta por cima.

Início da carreira

Natural de San Clemente, na Califórnia, Darnold iniciou sua trajetória no futebol americano universitário pela Universidade do Sul da Califórnia (USC). Titular por dois anos, conquistou o Rose Bowl de 2017 e despontou como uma das principais promessas da posição.

O desempenho chamou a atenção do New York Jets, que o selecionou como a terceira escolha geral do Draft de 2018. No entanto, o rendimento nas três temporadas pela franquia ficou aquém do esperado: foram 39 interceptações e apenas 17 touchdowns lançados.

Foi nesse período que o quarterback se tornou alvo de chacotas. Em 2019, após ter quatro passes interceptados em uma derrota por 33 a 0 para o New England Patriots, Darnold disse ao banco de reservas que estava “vendo fantasmas”, referência a sua incapacidade de ler a defesa dos Patriots, fazendo-o reagir a ameaças inexistentes e apressar passes sem necessidade. Como estava microfonado, a fala foi transmitida ao vivo e viralizou nas redes sociais.

No mesmo ano, outro episódio ganhou repercussão. Diagnosticado com mononucleose, conhecida como a “doença do beijo”, Darnold ficou fora de uma partida contra o Cleveland Browns. Uma arte exibida na transmissão informando o motivo da ausência rapidamente se espalhou nas redes sociais, ampliando o tom de deboche em torno do jogador.

Em 2021, foi trocado para o Carolina Panthers, onde atuou por duas temporadas com desempenho irregular. Em busca de reconstrução, aceitou ser reserva de Brock Purdy no San Francisco 49ers, dando um passo atrás para reorganizar a carreira.

Temporada no Vikings

A reviravolta começou em 2024, quando a lesão de J.J. McCarthy, então apontado como futuro titular do Minnesota Vikings, abriu espaço para Darnold.

Ele aproveitou a oportunidade e teve a melhor temporada da carreira: os Vikings terminaram a fase regular com 14 vitórias e três derrotas, com o quarterback somando 4.319 jardas e 35 touchdowns, além de uma convocação para o Pro Bowl. Minnesota chegou perto do Super Bowl, mas foi eliminado pelo Los Angeles Rams no Wild Card.

Com a recuperação de McCarthy, a franquia optou por seguir com o calouro e não renovar com Darnold, que acabou dispensado.

A decisão passou a ser vista como um erro, já que o desempenho do time caiu consideravelmente em relação ao sucesso de 2024. A diretoria de Minnesota foi criticada por não pagar o valor de mercado de Darnold, preferindo apostar em McCarthy, que, em meio a lesões e instabilidade em seu primeiro ano como titular, acabou prejudicando o rendimento da equipe.

Justin Jefferson, wide receiver dos Vikings, afirmou em entrevista ao USA Today que acredita que o time teria tido um desempenho melhor na temporada se Darnold tivesse permanecido na equipe.

“Com certeza acho que poderíamos ter nos saído melhor. Mas é o que é. Agora é hora de seguir em frente e buscar coisas novas e melhores. Ainda assim, estou muito feliz e orgulhoso por ele ter alcançado esse objetivo este ano”, afirmou.

Jefferson também disse que é difícil ver o ex-companheiro disputar o Super Bowl por outra equipe, mas ressaltou que torce por ele e está feliz com a conquista.

“É definitivamente difícil de assistir”, disse. “Adoro que ele esteja no Super Bowl. Estou feliz por ele e desejo tudo de bom, especialmente considerando o início da carreira dele, quando muitas pessoas duvidaram e não o respeitaram. Agora, ele é respeitado e reconhecido como um quarterback de elite nesta liga. Claro que, egoisticamente, eu gostaria que isso tivesse acontecido conosco no ano passado, mas vê-lo florescer e se recuperar logo depois me deixa feliz por ele — e espero que ele vença.”

Uma nova chance no Seahawks

A nova chance de Darnold na NFL veio em março de 2025, quando o Seahawks o contratou por um acordo de US$ 100,5 milhões por três anos (cerca de R$ 524 milhões), tornando-o o 18º quarterback mais bem pago da liga.

Ao lado do wide receiver Jaxon Smith-Njigba e do running back Kenneth Walker III, formou um ataque eficiente, destacando-se pela precisão nos passes dentro do pocket.

O trabalho com o psicólogo da equipe, Michael Gervais, também foi apontado como fundamental para a recuperação da confiança e o fortalecimento do aspecto mental do jogador.

Com Darnold como peça-chave, o Seahawks terminou a temporada regular na liderança da NFC Oeste. Nos playoffs, superou dois rivais de divisão, o San Francisco 49ers e o Los Angeles Rams, garantindo vaga no Super Bowl LX.

Agora, diante do maior palco do futebol americano, Sam Darnold tem a chance de transformar de vez a narrativa que o acompanhou por anos. Mais do que disputar um título, o quarterback entra em campo para selar uma trajetória marcada por quedas, reconstrução e, enfim, redenção.

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