A decisão da Justiça que reconheceu que a Chapa 2, capitaneada pela professora Rosana Nascimento, disputou as eleições do Sinteac contaminada por vícios e ilegalidades foi um marco claro: houve irregularidade. Houve falha. Houve contaminação do processo. Isso não é narrativa de adversário, é entendimento judicial.
Diante desse cenário, esperava-se maturidade política. Esperava-se autocrítica. Esperava-se responsabilidade. O que se viu, porém, foi o oposto.
Rosana Nascimento reagiu atacando. Em vez de enfrentar o conteúdo da decisão com argumentos técnicos ou recorrer dentro dos meios legais, partiu para áudios em grupos de WhatsApp, acusações sem prova e tentativas de desqualificação pessoal da adversária. É o velho expediente de quem perde no campo jurídico e tenta sobreviver no campo da difamação.
Acusar sem apresentar provas que uma adversária paga veículos de comunicação para autopromoção é grave. Não é discurso inflamado de campanha. É imputação que atinge honra. Política é confronto de ideias. Quando se troca proposta por insinuação, o que se revela não é força, é fragilidade.
A nota de repúdio emitida por Márcia Lima é dura porque a situação exige dureza. Não se trata de sensibilidade ferida, mas de limites ultrapassados. Há uma diferença clara entre disputa política e desonra deliberada. Entre divergência e injúria.
A Justiça decidiu. A reação foi o ataque. Quando o desespero substitui a estratégia, a política degrada. E quem escolhe esse caminho precisa assumir o ônus. No jogo político, a linha entre firmeza e descontrole é visível. E, nesse episódio, ela foi cruzada.
Veja nota abaixo
NOTA DE REPÚDIO
Repudio com absoluta veemência os áudios recentemente divulgados por Rosana Nascimento, em grupos de whatsapp, nos quais foram feitas acusações falsas e levianas a meu respeito, afirmando que eu pagaria veículo de comunicação para promoção pessoal. Trata-se de uma tentativa irresponsável de atingir minha honra e desqualificar minha atuação pública por meio de inverdades.
A divergência política é legítima. A mentira, não.
É fundamental deixar claro que quem reconheceu a ilegitimidade da chapa por ela encabeçada não fui eu, nem qualquer manifestação isolada: foi a Justiça. E a Justiça não age com leviandade. Decisões judiciais são fundamentadas em provas, fatos e no devido processo legal.
Causa profunda indignação que, no mesmo contexto, tenha sido tratada com naturalidade uma agressão física contra mulher, como se fosse algo digno de celebração. Violência contra a mulher é crime. Não é opinião, não é retórica, não é recurso de disputa política.
Ao banalizar uma agressão, não se atinge apenas a minha pessoa. Desrespeitam-se todas as mulheres que cotidianamente sofrem agressões físicas, psicológicas e morais, muitas das quais acabam vítimas de feminicídio. Naturalizar ou relativizar esse tipo de violência revela uma postura incompatível com qualquer função de representação em uma categoria majoritariamente feminina.
As falas de Rosana Nascimento dizem muito mais sobre sua própria postura contraditória e hipócrita do que sobre minha trajetória. Quem pretende representar trabalhadores e trabalhadoras da Educação precisa agir com responsabilidade, coerência e respeito, valores que não se sustentam quando se recorre à difamação e à banalização da violência.
Registro ainda que, à época da referida agressão, eu exercia a função de diretora do sindicato, assumindo responsabilidades e enfrentando os fatos publicamente. Houve quem, naquele momento, preferisse se esconder, silenciando diante da violência sofrida por sua própria diretora.
Não aceitarei ataques pessoais, distorções ou tentativas de reescrever a realidade. As medidas cabíveis nas esferas cível e criminal serão avaliadas, pois honra, dignidade e responsabilidade pública não são negociáveis.
A Educação merece debate sério, ético e responsável, não difamação, nem incentivo à violência.
Márcia Lima
PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO
