Eleições na Ufac: registro de chapa oficial levanta suspeitas sobre conduta ética de articuladores

O sábado, 14, abriu de vez a guerra entre as três chapas que disputam a Reitoria da Ufac. Ao registrar a sua candidatura, o professor Dr. Carlos Paula de Moraes, apoiados pela reitora Margarida de Aquino Cunha, ainda que não deliberadamente, gerou graves suspeitas sobre o perfil ético de alguns integrantes de seu grupo – a começar pelos responsáveis por divulgar suas propostas. Dois deles, citados pelo candidato, não possuem afinidades com o regramento do Jornalismo, mas estariam severamente “contaminados” em controvérsias no cenário acadêmico e institucional. Os opositores acenderam o alerta após setores da imprensa publicarem releases emitidos pela “ascom” do candidato (veja abaixo), levantando, ainda, suspeitas de que a Comunicação da Ufac estivesse orientando a produção dos textos. A professora Aleta, que cuida da divulgação institucional da universidade, não foi localizada para comentar.


1. Perfil e Controvérsias: Cleverson Agueiro de Carvalho

O ponto central do questionamento das chapas opositoras reside na incongruência geográfica e institucional de seus dados. Embora o professor atue em Rondônia, sua base de contato sugere uma ligação estreita com o Acre. Sua esposa é do quadro técnico da Ufac.

Dados Institucionais (UNIR)

  • Departamento: Departamento Acadêmico de Engenharia Florestal (DAEF).

  • Campus: Rolim de Moura (RM), Rondônia.

  • Titulação: Doutor.

Pontos de Atenção

  • Inconsistência de Localização: Apesar de estar lotado na UNIR (RO), o telefone registrado em seu cadastro institucional possui o prefixo (68), exclusivo do estado do Acre.

  • Vínculo com a Candidatura: Ele do grupo da reitora Guida Aquino e do ex-reitor, Minoru Kinpara, Foi apontado pelo Prof. Dr. Carlos Paula de Moraes, em conversa com a reportagem, como um dos responsáveis pela comunicação de sua chapa à Reitoria da UFAC, o que levanta questionamentos sobre a legalidade ou ética de um servidor de outra autarquia federal (UNIR) atuar formalmente em um processo eleitoral de instituição distinta.

  • Cleverson tem vínculo menor que 1 ano com a universidade rondoniense, e não teria direito ao gozo de férias. Em quais circunstancias ele estaria a serviço da candidatura na UFAC? Há acordos – e quais – sobre o pagamento de seus vencimentos?

2. Caso Carlos Frank Viga: Investigação da Polícia Federal

O professor Carlos Frank Viga, ex-diretor do Centro de Ciências de Saúde e do Desporto (CCSD) da UFAC, está sob investigação por suposta participação em um esquema de fraude de vagas. Num segundo momento, ao ser questionado, o candidato nominou Franck Viga como a pessoa que responderia pela sua comunicação.

Print do diálogo do candidato professor Dr. Carlos com a reportagem, em que ele aponta o professor Carlos Viga como “referência de sua assessoria de imprensa

O Objeto da Investigação

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF-AC) apuram o crime de falsidade ideológica. O caso envolve o ingresso irregular da professora de enfermagem Larissa Vanessa Machado Viana, esposa de Carlos Viga, no curso de Medicina da UFAC, através de vagas residuais.

Detalhes da Irregularidade

  • Falsificação de Histórico: Larissa teria apresentado documentos afirmando ter cursado Medicina na Universidade Estácio de Sá, porém, a unidade citada sequer oferece tal curso.

  • O escândalo estourou em 2024 e ainda não foi encerrado (confira abaixo)
  • O Papel de Carlos Frank Viga: A assinatura eletrônica de Frank aparece nos documentos que validaram esse ingresso. A investigação busca determinar se houve facilitação consciente ou uso indevido de sua assinatura no sistema.

  • Omissão de Vínculo: A servidora também declarou não possuir vínculo com a UFAC para acessar a vaga, apesar de ser professora da casa.

Situação Atual do Caso

  • Desdobramento Administrativo: Após a abertura do processo, a professora Larissa protocolou a suspensão definitiva de sua matrícula e renunciou à vaga.

  • Esfera Criminal: O inquérito da PF segue analisando a conduta de Frank Viga e Larissa para apurar o grau de responsabilidade de cada servidor no processo de conferência e assinatura dos documentos falsos.

  • Andamento do Inquérito da Polícia Federal (2026)

    O caso originou-se de uma denúncia em novembro de 2023, sob a acusação de falsificação de documentos para ingresso no curso de Medicina da UFAC através de vagas residuais.

    • Status do Inquérito: Em 2026, os registros indicam que o processo administrativo e o inquérito policial avançaram. Documentos de sistemas de protocolo do Governo Federal mostram movimentações recentes (janeiro de 2026) envolvendo a Comissão de Ética e a Reitoria da UFAC.

    • Defesa da Professora: A defesa sustenta que os fatos investigados pertencem à “vida privada” da docente e não teriam relação direta com o exercício do seu cargo público no curso de Enfermagem.

    • Conclusões Parciais: Houve registros de “Conclusão de processo na unidade” em órgãos como a Diretoria de Ações de Extensão e na Comissão de Ética entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026, sugerindo que a fase de instrução administrativa pode ter sido finalizada, aguardando decisões de mérito ou desdobramentos judiciais.


    2. Estatuto da UFAC e Apoiadores Externos

    No contexto de investigações ou parcerias, o Estatuto da UFAC e as resoluções do Conselho Superior (CONSU) regem a conduta de servidores e a relação com entidades externas.

    Regras para Apoiadores e Parcerias Externas

    O estatuto define que a UFAC goza de autonomia, mas o envolvimento de “apoiadores externos” (sejam empresas, fundações ou indivíduos) em atividades docentes ou projetos deve seguir critérios rígidos:

    • Vínculo Institucional: Qualquer apoio externo para projetos coordenados por docentes (como os projetos de vacinação ou extensão que a professora já coordenou) deve ser formalizado via convênio.

    • Responsabilidade Administrativa: O estatuto prevê que infrações éticas ou legais cometidas por servidores — mesmo que envolvam terceiros ou “apoiadores” — podem levar a processos disciplinares (PAD) que variam de advertência à demissão, caso fique provada a incompatibilidade com a dignidade do cargo.

    O Caso Específico

    No caso da professora Larissa, a investigação foca na fraude documental interna (ingresso em Medicina). Não há, nos documentos públicos recentes, uma seção específica do estatuto sendo citada sobre “apoiadores externos” como cúmplices, exceto a menção de que outro funcionário da instituição também foi denunciado por facilitar a fraude.


    Resumo de Dados Relevantes

    Aspecto Detalhes
    Investigação PF Falsificação de documentos (Art. 297/298 do CP).
    Situação na UFAC Processo passou pela Comissão de Ética em jan/2026.
    Vaga em Medicina A docente chegou a protocolar a renúncia definitiva da vaga de Medicina.
    Cargo Atual Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto (CCSD).

    Observação: Como o inquérito policial pode correr sob sigilo em determinadas fases, alguns detalhes do relatório final da PF de 2026 podem não estar totalmente disponíveis para consulta pública imediata sem uma solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI).


Resumo das Implicações para a Chapa

Nome Função na Chapa Principal Questionamento
Cleverson Carvalho Comunicação Conflito institucional (UNIR vs. UFAC) e domicílio digital/telefônico no Acre.
Carlos Frank Viga Apoio/Articulação Investigação criminal ativa por falsidade ideológica e fraude em vagas públicas.

 

Nota da redação

O professor Cleverson não respondeu às nossas mensagens.

O professor Carlos, indicado pelo candidato como “a pessoa de referência” de sua comunicação, também não respondeu.

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