O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou nesta quinta-feira (26) que o governo está conduzindo “uma investigação minuciosa para esclarecer os fatos” após a operação que deixou pelo menos quatro mortos e sete feridos em um confronto com uma “embarcação suspeita” registrada na Flórida que, segundo as autoridades cubanas, tentava se infiltrar na ilha “com fins terroristas”.
O governo do presidente Miguel Díaz-Canel divulgou a lista da tripulação, enquanto o Departamento de Estado dos EUA indicou que também investigará o ocorrido e responderá “de acordo com as circunstâncias”.
O que aconteceu?
Forças de Cuba mataram quatro pessoas e feriram outras seis a bordo de uma lancha registrada no estado americano da Flórida que entrou em águas cubanas na quarta-feira (25) e abriu fogo contra uma patrulha cubana, informou o governo de Havana em um momento de tensões elevadas com os Estados Unidos.
Os feridos foram retirados e estão recebendo atendimento médico, enquanto o comandante da patrulha cubana também ficou ferido, informou o Ministério do Interior de Cuba em um comunicado, acrescentando que o caso está sendo investigado para esclarecer exatamente o que aconteceu.
O incidente ocorreu em um momento em que os Estados Unidos bloquearam praticamente todo o fornecimento de petróleo da ilha, aumentando a pressão sobre o governo comunista.
As forças americanas capturaram o Nicolás Maduro, em Caracas, no dia 3 de janeiro, removendo do poder um importante aliado e fornecedor de Cuba.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse ter sido informado sobre o ocorrido pelo secretário de Estado Marco Rubio, mas que poucos detalhes eram conhecidos.
Os EUA estavam monitorando a situação e “esperamos que não seja tão grave quanto tememos”, disse Vance ao ser questionado por um repórter sobre o incidente.
Cuba fala sobre a operação
Em seu primeiro relatório, o Ministério do Interior cubano informou a detecção de uma lancha com registro da Flórida em suas águas territoriais, a uma milha náutica a nordeste de Cayo Falcones, na província de Villa Clara.
O comunicado detalhou que os ocupantes da embarcação abriram fogo quando uma unidade da Guarda Costeira se aproximou para identificação, ferindo o comandante da embarcação cubana.
No confronto que se seguiu, “quatro pessoas foram mortas e seis ficaram feridas, sendo retiradas e recebendo assistência médica”, acrescentou o Ministério.
Posteriormente, as autoridades declararam em outro comunicado que a embarcação transportava 10 indivíduos armados e que, segundo informações preliminares, “pretendiam realizar uma infiltração com fins terroristas”.
Eles também relataram a apreensão de fuzis de assalto, pistolas, coquetéis Molotov, coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes camuflados.
“Cuba não ataca nem ameaça. Já afirmamos isso repetidamente e reiteramos hoje: Cuba se defenderá com determinação e firmeza contra qualquer agressão terrorista ou mercenária que busque afetar sua soberania e estabilidade nacional”, publicou Díaz-Canel em sua conta na rede social X.
#Cuba no agrede, ni amenaza.
Lo hemos planteado en reiteradas ocasiones y lo ratificamos hoy:
Cuba se defenderá con determinación y firmeza frente a cualquier agresión terrorista y mercenaria que pretenda afectar su soberanía y estabilidad nacional. https://t.co/2g3b28fktl
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) February 26, 2026
Quem são os envolvidos?
A segunda declaração incluía uma lista com os nomes das pessoas que viajavam no barco, de número de registro FL7726SH.
“Todos os participantes são residentes cubanos nos Estados Unidos. A maioria deles tem histórico conhecido de atividades criminosas e violentas”, afirmou o Ministério.
O comunicado acrescentou que dois deles constam da lista nacional de pessoas que foram alvo de investigações criminais e são procuradas “com base no seu envolvimento na promoção, planeamento, organização, financiamento, apoio ou execução de ações realizadas em território nacional ou noutros países, relacionadas com atos de terrorismo”.
Entre os quatro mortos, as autoridades divulgaram o nome de um e acrescentaram que estão trabalhando para identificar os outros três.
Também foi relatada a prisão de um homem que, segundo o Ministério, foi “enviado dos Estados Unidos para garantir a recepção da infiltração armada”. A CNN solicitou um posicionamento da Casa Branca sobre a declaração cubana.
Reação dos Estados Unidos
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou na quarta-feira (25) que seu país responderá “de acordo com a situação” assim que tiver os detalhes da operação.
“Não vou especular nem comentar. Vamos descobrir exatamente o que aconteceu e responderemos de acordo”, disse ele a repórteres durante uma cúpula da Comunidade Caribenha em São Cristóvão e Névis.
Rubio descartou o envolvimento de pessoal do governo americano no tiroteio e afirmou que a embaixada dos EUA em Havana solicitou acesso aos sobreviventes do naufrágio, presumivelmente cidadãos americanos ou residentes permanentes, para obter informações sobre a situação deles.
O secretário enfatizou que Washington está buscando “informações independentes” para verificar os fatos e negou ter discutido o assunto com as autoridades cubanas.
Por sua vez, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma investigação sobre o caso. “O governo cubano não é confiável e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas”, afirmou ele nas redes sociais.
O momento que os países vivem
O caso ocorre em meio a tensões crescentes entre os Estados Unidos e Cuba, após a imposição de um embargo de petróleo pela Casa Branca e seu apelo para que o governo Díaz-Canel chegasse a um acordo.
No entanto, este não é um caso isolado na região. O Ministério do Interior de Cuba afirmou que, em 2022, interceptou 13 lanchas rápidas americanas com 23 tripulantes, acusados de “realizar operações de tráfico humano” que levavam pessoas de Cuba para os Estados Unidos.
Em uma dessas operações, em 18 de junho, as autoridades relataram que um tripulante de uma “lancha intrusa” abriu fogo com um fuzil automático e feriu um dos policiais.
“Desde 1959, Cuba tem enfrentado inúmeras infiltrações terroristas e agressivas vindas dos EUA, com um alto custo em vidas, feridos e danos materiais”, disse o ministro das Relações Exteriores, Rodríguez, nesta quinta-feira (26).