O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, defendeu, durante participação no WW desta quarta-feira (11) que as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1 devem ser pautadas por negociações graduais e responsáveis, considerando o futuro econômico do país.
Alban destacou que a média de horas trabalhadas no Brasil já é inferior à de outros países.
“A média de horas trabalhadas no Brasil está em 39,3% segundo o IBGE. Se formos olhar países até desenvolvidos, na própria zona do grupo G20, a média é 42,6 horas, e a média da OCDE é 42,4%”, afirmou.
O presidente da CNI ressaltou que a atual média brasileira é resultado de negociações coletivas que já acontecem em diversos setores.
“Tem setores que podem negociar e negociam. Esse é o primeiro caminho”, explicou Alban, defendendo que este modelo de negociação setorial seja mantido em vez de uma mudança legislativa generalizada.
Proposta gradual
Alban propõe uma abordagem que vincule eventuais reduções na jornada de trabalho a conquistas econômicas concretas.
“Se nós queremos garantir uma conquista, vamos discutir um ganho gradativo mediante conquistas gradativas. Conquistas de ganho de produtividade, conquistas de resultado de PIB (Produto Interno Bruto), conquista de resultados de déficit fiscal”, afirmou.
Segundo ele, é necessário que o país tenha responsabilidade com o futuro e evite decisões que possam comprometer o desenvolvimento econômico.
“Não adianta tapar um buraco e descobrir o outro. Nós temos que ter responsabilidade com o amanhã, com o conjunto da sociedade”, alertou.
O presidente da CNI manifestou preocupação com propostas que não considerem o impacto econômico de longo prazo.
“Nós precisamos sair desse movimento oportunista de decisões de hoje, do amanhã, e o futuro, como é que fica?”, questionou, lembrando que muitos jovens já estão perdendo a esperança no futuro do Brasil.
Alban defende que o país precisa traçar um plano inteligente que considere o compromisso com a nação.
“Nós queremos um país como o país ou queremos um país como a nação? Então vamos fazer um compromisso de um país como a nação”, concluiu, reforçando a necessidade de medidas que garantam a sustentabilidade econômica.
