O acordo Mercosul–UE (União Europeia) é apoiado pela FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), mas a bancada defende cautela na tramitação e a criação de salvaguardas para proteger a competitividade do agronegócio brasileiro.
A avaliação foi apresentada pelo presidente da FPA, Pedro Lupion (PL-PR), em coletiva de imprensa após reunião da bancada nesta terça-feira (3).
“O texto é bom, não é um texto único, é um texto bom para atender as demandas da produção industrial e agropecuária brasileira”, disse.
Segundo ele, o cenário político europeu mudou e ampliou a resistência ao acordo. Houve uma mudança grande de perfil nos parlamentares, tanto nos parlamentos regionais quanto no Parlamento Europeu, que tornou muito os congressistas de alas mais protecionistas.
Competitividade brasileira
Ele citou a pressão liderada pela Itália, com a salvaguarda como condição. Ele explicou que o instrumento trava a partir de 5% do aumento de competitividade dos produtos brasileiros em relação aos produtos europeus, o que, na avaliação dele tira a competitividade do Brasil. Desta forma, o país não pode aceitar assimetrias.
“O que não dá é para a gente servir de inocente útil, de enviar os produtos para lá, produtos primários principalmente, e chegar a vir os produtos deles com mais vantagens do que os nossos”, disse.
Segundo ele, a FPA não trabalha para derrubar o acordo, mas para criar instrumentos complementares, como a Lei da Reciprocidade, aprovada e sancionada no ano passado, e medidas administrativas.
“Não é alterar o tratado, é a gente criar salvaguarda, criar algumas medidas que possam evitar danos para nós”, destacou.
Lupion apontou que haverá uma reuniao com o ministro do Desenvolvimento, Industria e comercio e vice-presidente Geraldo Alckmin, que coordena a agenda comercial do governo.
“Hoje à tarde o presidente Geraldo Alckmin convocou alguns pares nossos para ter uma conversa sobre o tratado. Eu vou levar a sugestão, vou levar o nosso ofício, as nossas preocupações para que a gente comece esse debate”, disse.
